Xerox faz oferta de US$ 30 bi para comprar rival HP

A Xerox fez uma oferta ousada para adquirir a rival HP, que é muito maior, por mais de US$ 30 bilhões, incluindo dívidas. O movimento é uma tentativa de reviver duas empresas que já foram inovadoras na área de tecnologia, mas têm enfrentado dificuldades para crescer nos últimos anos.

A fabricante americana de impressoras e fotocopiadoras fez uma oferta em dinheiro e ações na noite de terça-feira, na qual atribui à HP, que produz impressoras e computadores pessoais, um valor de US$ 22 por ação, segundo pessoas informadas sobre o assunto.

A proposta da Xerox, não solicitada, representa um ágio de aproximadamente 20% sobre o preço de fechamento das ações da HP na terça-feira.

Duas pessoas com conhecimento direto do caso disseram que o Citigroup concordou em financiar a oferta da Xerox, que teria uma parcela significativa em dinheiro.

Como parte da proposta, John Visentin, diretor-presidente da Xerox, comandaria a nova empresa combinada, segundo fontes. Dion Weisler, diretor-presidente da HP, já havia anunciado neste ano que deixará o cargo “por causa de um problema de saúde na família”.

O valor de mercado da Xerox equivale a menos de um terço do da HP, mas a combinação poderia levar a uma economia anual de custos de até US$ 2 bilhões.

A Xerox busca tirar partido do recente aumento no preço de suas ações, de 26% nos últimos 12 meses. A HP, pelo contrário, perdeu quase 18% no mesmo período.

A oferta foi anunciada poucas horas depois de a Xerox decidir vender para o grupo japonês Fujifilm sua participação de 25% na joint-venture entre as duas empresas, por US$ 2,3 bilhões. Apesar dos ganhos com a venda, Jeriel Ong, analista do Deutsche Bank, disse que a Xerox precisará fazer empréstimos pesados para concluir a transação com a HP.

As duas empresas operam em pontas diferentes de um setor em declínio cíclico. A Xerox fabrica grandes impressoras e copiadoras para uso em escritórios. A maior parte de sua receita de US$ 10 bilhões no ano passado veio do aluguel dos equipamentos para empresas e manutenção. A HP é especializada em impressoras para consumidores. Embora as vendas de computadores tenham representado quase dois terços de sua receita de US$ 58 bilhões em 2018, as impressoras – e, mais precisamente, os cartuchos de tinta – são sua principal fonte de lucro. A divisão foi responsável por 71% do lucro operacional no ano passado.

O principal negócio de impressão da HP, em documentos de tamanho A4, está em declínio, o que tem pressionado a empresa a se expandir para o mercado comercial dos papéis tamanho A3, no qual a Xerox é mais forte. Recentemente, a HP informou ter atingido 10% do mercado de A3, de US$ 50 bilhões. Como a Xerox tem uma fatia de 15%, uma combinação entre as duas resultaria em um concorrente muito mais forte contra as líderes de mercado Ricoh e Canon, de acordo com analistas do UBS.

A compra da HP, que só perde para a Lenovo na venda de PCs, com uma fatia de mercado de 22%, marcaria um momento histórico no setor de computadores, do qual a Xerox foi uma das pioneiras.

Em 1979, Steve Jobs, então diretor-presidente da Apple, viu o trabalho da Xerox para criar uma interface gráfica para o usuário, controlada por um mouse, em uma visita à empresa, o que lhe deu a ideia de criar o Mac. O fracasso da Xerox em capitalizar suas ideias inovadoras tornou-se um estudo de caso sobre como é comum empresas acabarem excluídas de grandes mercados que ajudaram a criar.

No Brasil

A Xerox, que desembarcou no Brasil em 1965, passou por um forte enxugamento a partir de 2011, quando demitiu 900 funcionários, equivalente a um terço de sua mão de obra. Atualmente, emprega 500 pessoas e seu principal negócio gira em torno de máquinas que podem imprimir e fazer a gestão de documentos em empresas. A HP, que desembarcou no país em 1967, vende computadores pessoais (PC) e impressoras. Desde maio deste ano começou a fornecer um sistema que permite fazer impressão 3D.
Fonte: Valor Econômico

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