Vende Mas Não Entrega!

Muitos empresários sonham com o dia de realizarem a venda de suas empresas. Uma jornada geralmente longa, cheia de riscos e desafios que chega ao fim. Sentimento de dever cumprido, alívio e alguns milhões a mais no bolso, caso a operação justifique. Concorrentes e parceiros próximos já passaram por isso. Tal situação gera curiosidade, não apenas quanto ao valor e condições das operações, mas quanto ao novo estilo de vida dos vendedores. O que foram fazer dali para frente? Como tem sido a nova rotina? E a falta da convivência com pessoas e a adrenalina dos problemas e do mercado. Como lidar com isso? Como se adaptar a uma mudança que geralmente é abrupta, tão logo os novos donos assumam a operação?

Quando chega a sua vez, o empresário motivado e orgulhoso, assume a negociação, contrata um advisor, advogados e mobiliza um time seleto dentro da empresa, para as demandas que irão surgir. Assina um termo de confidencialidade e passa a fornecer informações e documentos aos interessados. Vem a proposta, que se transforma em contraproposta, que passa a ser moldada conforme os interesses do comprador e vendedor. Gera um memorando de entendimento, vinculativo ou não. Alinham-se as regras finais para assinatura do contrato e define-se um cronograma para a due diligence. Tudo indo bem. Agora falta pouco. Superar os auditores e advogados é chegar vivo ao final da operação. Condições precedentes cumpridas vem o momento do fechamento, com o pagamento do preço e as diligencias finais. Estamos quase lá. O comprador já gastou milhares de reais, investindo na segurança jurídica da operação e mobilizando sua estrutura para transição. Mas numa linda manhã de sol, o empresário acorda e tem um surto. Como assim vender a minha empresa que construí e trabalhei nos últimos 40 anos? A caneta pesa. Um misto de vergonha, pânico e medo vem a mesa. Chamar a esposa ou um dos diretores da companhia? Não! O empresário chama o advogado para ver o tamanho da lambança em caso de desistência. Arranjar desculpas ou agir com transparência e hombridade? Ir até o final e cumprir o que fora combinado ou simplesmente não atender mais ninguém e colocar um exercito de pessoas entre as partes envolvidas para ver no que dá.  O enredo parece mais com um filme de segunda linha do mundo corporativo, mas acontece na vida real, mais do que imaginamos. A antropologia e a psicologia falam mais alto. Mais alto que o próprio dinheiro, neste caso. Fica então a dica: se estiver vendendo a sua empresa e acordar no meio da noite com pontadas no peito e calafrios, não chame o médico, ligue para o advogado!

Fabricio Scalzill

Founder da Nello Investimentos

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1COMENTÁRIO
  • Teresinha M W Goellner
    31 de janeiro de 2019

    A empresa que foi ” CRIADA “, e a dedicação empenhada tem muito valor, porém se não houver energia para continuar se empenhando e atualizando, será melhor aceitar a oferta e ficar curtindo o resultado da conquista valorizada, antes de ficar com a vergonha de uma falência.

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