Unicórnio não é a empresa!

A pauta é tecnologia e inovação; Tecnologia traz eficiência, gera novos modelos de negócios e faz pipocar uma gama de novos produtos e serviços. Muitos morrem antes de nascer ou ficam obsoletos rapidamente. No entanto, quando um conceito cai nas graças do mercado, atrai milhões ou bilhões de usuários, como o Uber e o iPhone, por exemplo. Por isso mesmo empresas tidas como inovadoras têm a atenção dos fundos de investimento e investidores dos mais variados perfis.

O caminho mais natural de investimento tem sido apostar nas startups. Os poucos casos de sucesso, frente ao número realmente imensurável de startups que surgem no mercado, acabam inebriando o mercado, como se fosse fácil empreender e formar o novo unicórnio. Contudo, não é! Estar num coworking legal, ter um produto interessante e uma atenção mínima da mídia não são garantias de sucesso. O produto/serviço não é a startup, pois há diversas outras variáveis corporativas que devem ser analisadas para que a empresa tenha um voo sustentável. Plano comercial e de marketing, um orçamento minimamente organizado, acesso contínuo a capital, uma visão clara da estratégia e critérios de sucesso bem definidos são alguns dos itens a serem estruturados, dentre tantos outros.

Uma exigência cada vez maior para profissionais e empreendedores de tecnologia é que abram suas mentes para além do conhecimento técnico e unidirecional do negócio (e novamente do produto). Estes precisam estar dispostos a buscar conhecimento em outras áreas e terem múltiplas visões do negócio e dos mercados que os cercam. Esta será uma exigência cada vez maior! Competências de exatas e humanas se confundem cada vez mais, a todo momento, dependendo do tamanho e perfil do desafio. Ainda é difícil encontrar no Brasil empreendedores mais completos, que entendam do desenvolvimento do negócio, tenham clareza do plano de ação, conhecimentos financeiros mínimos e que, acima de tudo, saibam aglutinar pessoas e capital em volta de suas ideias — seres efetivamente comerciais, vendedores de sonhos, mas realizadores natos; As universidades e instituições ainda não estão prontas para desenvolver, de forma harmônica, tantas habilidades. No futuro, unicórnios serão pessoas como estas e não necessariamente as empresas em si.

Fabricio Scalzilli
Sócio da Nello Investimentos

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