Under Armour terá calçados criados no Brasil

A Vulcabras Azaleia planeja acelerar a expansão da marca Under Armour no Brasil com o aumento da produção local de calçados e roupas. Na área de calçados, a companhia também vai desenvolver linhas feitas para atender o gosto dos brasileiros.

Na segunda-feira, a Vulcabras Azaleia anunciou a compra da operação da Under Armour no Brasil por R$ 97,5 milhões. O valor será pago com recursos do caixa da companhia em nove parcelas mensais. A Vulcabras Azaleia também será distribuidora e licenciada exclusiva da Under Armour no país por dez anos.

“A Under Armour se deu conta de que precisava de um parceiro para crescer no Brasil. Do nosso lado, estamos prontos para expandir o portfólio de marcas”, afirmou Pedro Bartelle, presidente da Vulcabras Azaleia.

Sediada em Baltimore, Maryland, a Under Armour foi fundada há 22 anos e está presente no mercado brasileiro desde 2014. A empresa não divulga dados sobre a operação, informa apenas que as vendas crescem no país. Na América Latina, o faturamento da Under Armour cresceu 14% no primeiro semestre do ano, em relação ao mesmo intervalo de 2017, para US$ 87,3 milhões.

No mundo, a receita líquida avançou 6,7% no primeiro semestre, para US$ 2,36 bilhões. A companhia registrou um prejuízo global de US$ 125,8 milhões, ante uma perda de US$ 14,6 milhões no mesmo intervalo de 2017. O resultado foi associado a gastos com reestruturação e baixa contábil de ativos, no total de US$ 79 milhões.

Bartelle disse que os tênis da Under Armour entram na categoria premium e não competem diretamente com a Olimpikus, responsável por 80% da receita da Vulcabras Azaleia. Os preços da marca americana vão variar entre R$ 250 e R$ 1 mil o par. Além das linhas já existentes, a Vulcabras Azaleia desenvolverá, no seu centro de pesquisas em Parobé (RS), novas linhas para venda a partir de 2019.

Sem citar números, o executivo disse que a maioria dos tênis da Under Armour serão fabricados na unidade de Horizonte (CE). A empresa só vai manter a importação de linhas que não sejam lucrativas com produção local. As roupas também serão produzidas no Brasil, mas por fabricantes terceirizados. Atualmente, em torno de 50% das linhas da Under Armour são importadas.

Bartelle disse que a Vulcabras Azaleia vai absorver toda a estrutura da Under Armour no país, incluindo o time de 120 pessoas. A Vulcabras Azaleia emprega em torno de 15 mil pessoas.

Além de assumir a produção e as vendas, a companhia brasileira também assumirá a operação própria de varejo da marca, composta por sete lojas próprias e um comércio eletrônico.

No varejo, a Vulcabras Azaleia pretende ampliar a distribuição da Under Armour, hoje limitada a 1,2 mil pontos de venda no país. “Com a Olimpikus, atingimos 10 mil pontos de venda. Não vamos colocar a marca em todos esses pontos, mas vamos aumentar bastante a presença no varejo”, disse Bartelle.

O executivo afirmou ainda que espera maior estabilidade no câmbio após as eleições, favorecendo a indústria local. “O dólar a R$ 4 favorece a produção nacional. Além disso, podemos entregar produtos ao varejo até três meses após a encomenda, enquanto as marcas internacionais levam seis meses para entregar os produtos”, disse.

De acordo com dados da Euromonitor International, o mercado de artigos esportivos crescerá 2,1% em 2018, para R$ 25,4 bilhões. A Under Armour é a sétima marca, com 2,5% de participação. Ela perde para Adidas, Nike, Asics, Mizuno (Alpargatas), Olimpikus e Fila (Grupo Dass), nessa ordem.

A Vulcabras Azaleia fechou o primeiro semestre com lucro líquido de R$ 66,5 milhões, em queda de 14%. A receita líquida caiu 5%, para R$ 572,8 milhões. O resultado foi associado a perdas no segundo trimestre com a greve dos caminhoneiros e ao consumo retraído no período.

Fonte: Valor Econômico

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