Um Propósito e uma Tendência. Qual o Preço a Pagar no Mundo das Fusões e Aquisições?

Ter um propósito definido fortalece o papel de liderança de qualquer empresa. Dá condições à companhia para agir como consolidadora em seu setor. O propósito fortalece a cultura empresarial e vice-versa; ambos fortalecem o comportamento dos colaboradores em prol de um objetivo comum. Isto gera valor a empresa. Seguir tendências, por sua vez, já é mais complicado.

O mercado de tecnologia, por exemplo, abarcou mais de 20% de todos os investimentos realizados no país em fusões e aquisições no primeiro trimestre de 2017. Um mercado, portanto, em franca transformação, que exige o acompanhamento continuo de mudanças e tendências. Mas quanto custa efetivamente incorporar tendências? E se estas forem efêmeras?

Empresas com propósitos claros estão atentas as mudanças e na melhor das hipóteses criam as tendências. Mas simplesmente comprar empresas ou negócios para “incorporar” tendências é um risco imensurável, às vezes sem propósito, com o único intuito de seguir padrões e comportamentos do mercado, como se isto fosse receita para o sucesso. Ilusão pura. Se a tendência é sustentabilidade ou e-commerce ao invés de lojas físicas, mais fácil comprar empresas que já possuem esta visão ou estrutura. Mas difícil é comprar, nestes casos, “o jeito do dono”, replicar a cultura e implementar dentro de casa, o que acontece na empresa adquirida. Comprar “tendência” é caro e, em muitos casos, dá errado. Dinheiro, muito dinheiro jogado fora. Energia sem tamanho, mobilização de pessoal e perda de sinergias ao invés de ganho, impondo um novo modelo de negócio ou estrutura em choque com a atual cultura e realidade.

Processos de aquisição de companhias de médio e grande porte devem ser pensados, estudados ao extremo, com a identificação de riscos, sinergias, complementariedades reais e oportunidades. Decisões simplistas, vaidades ou aquisições com base na famosa frase da diretoria “faz sentido para nossa operação”, não levam ao sucesso da integração da operação adquirida. Preservar o antigo corpo de colaboradores ou até o antigo dono da empresa como executivo, manter a independência das operações, comunicar e reforçar o propósito do grupo com a ação e, acima de tudo, preparar uma transição com início, meio e fim é fundamental para mitigar riscos em operações de fusões e aquisições. Adquirir prédios, canais, produtos e até consumidores é fácil numa operação de M&A, mas pessoas, colaboradores de diversos escalões e perfis, não! Estas se conquistam e são elas que efetivamente formarão a nova cultura, moldarão a nova companhia e reforçarão os objetivos futuros do grupo empresarial em expansão.

Fabricio Nedel Scalzilli

Sócio da Nello Investimentos

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