Ter Visão! O que Falta a Maioria das Startups

Chega a ser quase antagônico afirmar que falta visão estratégica a maioria das startups, sendo esta uma das grandes causas que leva ao seu perecimento precoce. Se startup é sinônimo de inovação, adaptação rápida, gestão enxuta e conexão com o mundo atual seria fácil supor que a maioria delas teria uma visão estratégica clara para o seu negócio. Visão estratégica é perceber onde a empresa pode e deve estar nos próximos dois a cinco anos. Podemos pressupor que isso, em tese, é um conceito de longo prazo, no mundo de mudanças abruptas como o atual. Uma Startup que já tenha um pouco de quilometragem pode iniciar a busca por sua visão estratégica na “visão passada”, entendendo, frente aos obstáculos e erros ocorridos, o motivo pelo qual o que fora projetado (a visão esperada) não se realizou. Temos um cenário, então, comum com muitas empresas que continuam patinando, sem conseguir construir percepção de valor no mercado, com produtos ou serviços precários ou sem utilidade prática. A alegação de dificuldade de acesso a capital em muitos casos é desculpa, para uma empresa sem rumo, com falta de clareza de onde quer chegar. O conceito cool de que faz parte da natureza da startup a mudança não pode ser uma justificativa para estar sempre rodando em volta do seu próprio eixo corporativo. Seus fundadores passam o dia em eventos, participam de diversos processos de aceleração e até, acreditem, ganham prêmios dos mais variados, mas as luzes de uma visão estratégica – onde efetivamente queremos e podemos chegar, dentro do momento histórico do mercado e frente aos recursos que temos disponíveis – continua tão apagada quanto a bateria de uma lanterna, hoje trocada por mais esta funcionalidade oferecida pelos mobile phones. Construir e planejar o futuro, depende muito do entendimento do passado. O que fizemos até aqui? O que foi válido? O que deve ser mudado? Quanto de recursos serão necessários, seja financeiro, tecnológico, capital humano e inteligência no negócio? Decidir para onde ir não é fácil. As possibilidades são muitas. Lançar um ou mais produtos? Focar na venda, locação ou modelo de assinatura? Franquear? Internacionalizar já de início? Jogar tudo fora e reconstruir o modelo? Solucionar um problema da humanidade ou apenas buscar um aporte robusto, escalar e já preparar a venda da empresa? Quantas questões complexas ! No passado estas eram interrogações que estavam submersas num mundo corporativo mais tranquilo e previsível. Hoje, passado, presente e futuro se misturam numa velocidade imensa que deixa tonto até os empreendedores mais experientes, em busca da uma visão estratégica coesa e real, mesmo que agressiva e arriscada.

Fabrício Scalzilli

Founder da Nello Investimentos

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