SoftBank levanta US$ 23,5 bi em oferta inicial de ações

O grupo japonês SoftBank definiu o preço da oferta pública inicial de ações (IPO) de suas operações móveis em 1.500 ienes por ação e vai captar 2,65 trilhões de ienes (US$ 23,5 bilhões) com a operação, mantendo o preço indicativo fornecido anteriormente neste mês.

O preço, detalhado num protocolo enviado ontem às autoridades reguladoras, foi anunciado menos de uma semana depois que milhões de clientes japoneses da empresa de telecomunicações SoftBank ficaram quatro horas sem os serviços da rede de telefonia móvel por causa um defeito de software, cuja origem foi detectada na Ericsson, um dos principais fornecedores da companhia.

A interrupção de quatro horas atraiu multidões furiosas aos pontos de venda da SoftBank em Tóquio e Osaka, e levou muitos clientes a postar nas redes sociais suas intenções de mudar para outras empresas.

Cerca de 90% das ações que estão sendo vendidas na IPO estão sendo alocadas para os pequenos investidores, o que levou a companhia a fazer propaganda na TV, num esforço para atrair o interesse nacional.

As corretoras de valores – que em alguns casos enviaram vendedores para oferecer as ações aos pequenos investidores japoneses de porta em porta – indicaram nas últimas semanas que as campanhas atenderam seus propósitos e a emissão foi coberta.

Mas a IPO foi ofuscada pela escalada da controvérsia internacional sobre a fabricante chinesa de equipamentos Huawei e a prisão de sua diretora financeira no Canadá. Na esteira da prisão, o governo japonês está considerando adotar medidas que possam banir os produtos da Huawei de suas compras.

Entre as empresas japonesas de telefonia móvel, a SoftBank é a que tem as relações de maior visibilidade com a Huawei, com o fundador Masayoshi Son sendo um fã do grupo chinês e usuário dos equipamentos da Huawei em sua rede. Ontem, a SoftBank disse que está observando atentamente a política do governo japonês e que vai se adequar às suas recomendações quando tiver que escolher um vendedor para suas redes 5G de próxima geração.

A IPO das operações móveis da SoftBank, que vai incluir a venda de um lote adicional de 160 milhões de ações e avaliar a companhia em 7,2 trilhões de ienes (US$ 64 bilhões), será a maior operação de abertura de capital já feita no Japão. Porém, ela fica um pouco abaixo da maior já realizada no mundo, a listagem na Bolsa de Nova York das ações da gigante chinesa de comércio eletrônico Alibaba, que envolveu US$ 25 bilhões.

As ações começarão a ser negociadas em 19 de dezembro e alguns analistas antecipam uma volatilidade significativa nas semanas seguintes, conforme os grandes índices forem se ajustando para acomodar a nova emissão.

O preço de venda de 1.500 ienes por ação casou com o número que a SoftBank forneceu no começo do mês. Em algo inédito no Japão, a SoftBank não ofereceu uma faixa indicativa – um sinal de que recebeu um interesse sólido pelo preço de 1.500 ienes, da parte de alguns investidores institucionais que disseram que ele parecia alto demais, dada a probabilidade de uma guerra de preços na telefonia móvel no Japão.

O interesse dos pequenos investidores na emissão parece ter sido motivado pelo rendimento do dividendo da companhia, de 5%, que é relativamente alto comparado ao de outras grandes empresas listadas e atraente diante dos retornos desprezíveis que os japoneses recebem por suas poupanças bancárias.

Mesmo assim, analistas disseram que nuvens escuras vão pairar sobre as novas ações. A SoftBank vai manter cerca e 66,5% da operação móvel recém-cindida, colocando-a na categoria de subsidiárias listadas, predominante na Bolsa de Tóquio, mas muito malvista pelos defensores de uma melhor governança corporativa, por causa da percepção de risco de conflitos de interesses.

As ações da SoftBank fecharam ontem em baixa de 3,5%, o menor patamar em um mês, acompanhando as grandes quedas da semana passada por causa da paralisação da rede móvel.

Fonte: Valor Econômico

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