Softbank investe US$ 1 bi no Rappi e pressiona Movile

O aporte de US$ 1 bilhão da SoftBank no aplicativo de entregas Rappi, anunciado na terça-feira, coloca o mercado de venture capital na América Latina em um novo patamar de investimentos. E, simultaneamente, pressiona a Movile, dona do iFood.

O montante a ser investido na Rappi, com sede na Colômbia, é o dobro da maior rodada já recebida por uma empresa na região latino-americana até agora – os US$ 500 milhões recebidos pela Movile em novembro para colocar no iFood.

Também representa, sozinho, pouco mais da metade do US$ 1,98 bilhão que o mercado como um todo movimentou no ano passado, segundo a Associação Latino-Americana de Private Equity & Venture Capital (LAVCA).

O aporte mostra que depois de décadas de idas e vindas e alguns poucos casos de sucesso, a região se tornou um destino de fato para o investimento de risco, com startups interessantes e modelos de negócio viáveis. Com o “trophee deal” – um troféu, ou negócio impactante – da SoftBank, os olhares dos investidores globais tenderão a se voltar ainda mais para a região.

Mais do que isso, os olhares de investidores latino-americanos, como famílias ricas e bancos, também devem ficar mais atentos às oportunidades de aportar recursos em companhias iniciantes. E esse movimento pode acelerar projetos na região.

A própria SoftBank vai ter um papel importante nesse processo com os US$ 4 bilhões que ainda tem para investir na região com seu Innovation Fund, anunciado recentemente.

O aporte recebido pela Rappi coloca pressão sobre o iFood, da Movile. Esta companhia tinha se transformado em um unicórnio – startup cujo valor de mercado chega a US$ 1 bilhão – em março de 2017. A Rappi chegou a este patamar em novembro de 2018.

A Movile tem sua atuação muito concentrada no Brasil, com as operações na Colômbia e no México ainda engatinhando. A concorrente colombiana já tem presença relevante em sete países do mercado latino-americano (Brasil, Colômbia, México, Argentina, Chile, Uruguai e Peru).

A Rappi – que nasceu em 2015 como um aplicativo de entrega, mas tem evoluído para atuar como um super-aplicativo, que inclui várias categorias de serviços (como solicitar um patinete da Grin, por exemplo) – também poderá se beneficiar de integrações. Ou, eventualmente, até incorporar a Loggi, aplicativo brasileiro de entregas por motoboys mais voltado ao público corporativo. A Loggi passou a fazer parte do ecossistema da SoftBank no fim do ano passado depois de receber uma rodada de investimento de US$ 111 milhões.

O setor de logística e distribuição, aliás, foi o que atraiu maior volume de investimento em 2018, segundo a LAVCA. Foram US$ 898,3 bilhões, com 44 negócios. Em 2017, apenas dois aportes que somaram US$ 20,6 milhões haviam sido concretizados. O acirramento da competição no segmento já fez uma vítima. Em fevereiro, a espanhola Glovo anunciou sua saída do Brasil depois de apensa um ano de operação e agora conta com uma presença pequena na Argentina, Chile, Colômbia, Guatemala, Peru e Santo Domingo, concentrando seus negócios na Europa.

Fonte: Valor Econômico



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