Sinergias de fusão de Fibria e Suzano podem ser maiores

As sinergias geradas a partir da fusão com a Fibria podem exceder a projeção fornecida pela Suzano, uma vez que há centenas de iniciativas em curso e uma análise mais profunda dos ganhos potenciais só foi possível a partir de 14 de janeiro, quando a operação foi consumada. Na terça-feira, quando promoveu encontro com investidores e analistas na Bolsa de Nova York, a Suzano informou que espera sinergias operacionais de R$ 800 milhões a R$ 900 milhões ao ano, além de R$ 2 bilhões por ano, ao longo de uma década, referentes às sinergias fiscais. Ontem, em evento em São Paulo, a administração destacou que o trabalho de mapeamento dos ganhos potenciais ainda não foi encerrado. 

Questionado sobre o assunto, o presidente Walter Schalka disse que a modulação de riscos dessas sinergias levou a companhia a não apresentar todos os ganhos possíveis, mas a “média ponderada do que conseguiremos entregar”. Antes, o diretor de operações de celulose, Aires Galhardo, já havia afirmado que há potenciais ganhos que ainda não foram mapeados e podem ser identificados nos próximos meses. “Existem sinergias que estão em processo de construção e deverão ser significativas daqui para a frente”, observou.

Na área industrial, a Suzano vê potencial de ganhos relacionados à unificação dos processos das duas companhias, que eram distintos, entre outros. Na florestal, há otimização do fornecimento de madeira. Em outra frente, a companhia poderá dedicar as diferentes fábricas que opera a mercados específicos e, assim, reduzir custos logísticos. A unidade de Imperatriz (MA), por exemplo, poderia abastecer o mercado americano, mas a transição depende da validação da celulose nos clientes.

Conforme Schalka, a estratégia comercial da companhia tem sido clara no sentido de diminuir a volatilidade das cotações, que não é saudável nem para os produtores nem para os compradores. “Queremos uma cadeia sadia. Vamos balancear nossa precificação de acordo com demanda e oferta, mas tentando minimizar as variações ao longo do tempo”, afirmou.

Em relação aos estoques elevados da Suzano nos portos chineses, Schalka afirmou que não houve uma mudança estrutural no mercado de celulose da China, mas um momento de desestocagem – que levou a uma abrupta redução das compras de fibra entre o fim do ano passado e início deste ano. “Não antevimos a desestocagem, mas reagimos rapidamente, aumentando também os nossos estoques e depois reduzindo os embarques para a China”, explicou.

Os inventários da Suzano no país asiático serão reduzidos ao longo do tempo e, na avaliação do executivo, a queda dos preços no mercado chinês, de US$ 770 por tonelada para US$ 720 por tonelada, é adequada aos volumes comercializados atualmente.

De acordo com o diretor financeiro e de relações com investidores Marcelo Bacci, o descasamento entre custo e receita em moeda estrangeira traz volatilidade de caixa e, a cada US$ 0,10 de variação frente ao real, a geração de caixa operacional é afetada em R$ 600 milhões ao ano. Para se proteger dessa variação, a companhia faz hedge de 63% do fluxo de caixa em 18 meses. A meta é chegar a 75%.

Fonte: Valor Econômico

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