Shark Tank e o mundo das Fusões e Aquisções

Shark Tank é uma famosa série de TV americana, do gênero game show, onde supostos empreendedores se deparam com investidores para apresentarem e venderem suas ideias e negócios, em busca de apoio e investimento. No Brasil o referido programa – negociando com tubarões – apresenta diversos episódios onde um grupo de empresários, geralmente de pequeno porte, que necessitam de investimento para alavancar seus negócios, são colocados à frente de investidores e empreendedores experientes para convencê-los a aportarem recursos em suas empresas.

O mérito deste tipo de programa é demonstrar, mesmo que de forma superficial e mais compacta, os desafios que qualquer empreendedor vai enfrentar, caso opte em realizar um processo de fusões e aquisições ou captação de recursos, principalmente junto aos fundos private equity.

No caso do programa Shark Tank Brasil, como no próprio mercado, nos deparamos com boas ideias e negócios com grande potencial, mas, na maioira das vezes, desconstruídos pelos investidores, com questionamentos diretos e afiados sobre o modelo de negócio, indicadores financeiros, barreiras de entrada e diferenciais competitivos. A maioria não está preparado para responder a estas perguntas.

Claramente os investidores são instigados a agir com pressão de inicio sobre o empresário participante para desestabilizá-lo, testando seus conhecimentos e convicções. Ato contínuo trabalham a auto-estima e a valorização de pontos positivos do negócio e finalizam, com o que considero o mais positivo, que é a orientação, expondo o por que não investiriam no negócio, nos casos de negativa em seguir adiante. Em alguns casos, os investidores ressaltam que vão abrir portas e dispor de relacionamentos para aproximar o empresário de outros clientes e fornecedores que possam fazer sentido ao momento da empresa. Algumas vezes isto tem mais valor que o próprio investimento em si.

Assim é o mundo das fusões e aquisições. Se o empresário não construir uma boa tese de investimento, dominar os números e dados financeiros de seu empreendimento, se aprofundar no modelo de negócio, entender o ambiente competitivo que o cerca e demonstrar, acima de tudo, um modelo de negócio vencedor, com suas barreiras de entrada e diferenciais realmente competitivos, não sobreviverá a primeira reunião com investidores ou, na melhor das hipóteses, receberá uma negativa educada dos players investidores.

Construir uma jornada vitoriosa, expressando a visão e o propósito da oportunidade (onde posso e quero estar nos próximos 36 a 60 meses) é fundamental. Com isso desenvolver um plano realista, com ações de curto, médio e longo prazo e um orçamento que sustente este plano. Este é um caminho básico para qualquer empreendedor. Capital humano (qualidade não quantidade) é essencial também e, por ser intangível, muitos pequenos empreendedores querem e acabam fazendo de tudo um pouco, nada muito aprofundado. È mais transpiração que razão. Não haverá certeza de sucesso no mundo dos tubarões, mas quanto mais preparo, mais análise e projeto, na fase pré-operação, mais chance do negócio prosperar.

Fabricio Nedel Scalzilli
Sócio da Nello Investimentos

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