Sapore faz oferta pública para comprar 40% da IMC

A Sapore, por meio de sua controladora Abanzai, publica hoje um edital com os termos da oferta pública de aquisição de ações (OPA) de pouco mais de 40% da IMC, donas das redes de restaurantes Viena e Frango Assado. Na sequência, o objetivo é apresentar uma proposta para união das duas companhias. É a terceira vez este ano que a empresa de Daniel Mendez tenta uma combinação entre as duas operações.

O negócio pode movimentar cerca de R$ 550 milhões, conforme noticiado pelo Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor, no início do mês. A Abanzai obteve financiamento com o Banco do Brasil, Bradesco e Votorantim e está estruturando uma debênture para que as instituições possam subscrevê-la.

O preço final por ação a ser pago na operação será de R$ 8,63. Deste total, o edital prevê que R$ 8 serão entregues no momento da liquidação da OPA e os R$ 0,63 restantes estão condicionados à redução de capital da IMC, de R$ 100 milhões, já anunciada. O objetivo é adquirir de 69 milhões a 69,375 milhões de ações da empresa, em um leilão em bolsa previsto para ocorrer em meados de dezembro, 30 dias após a publicação do edital. O Brasil Plural será o agente intermediador da operação.

Uma das maiores operadoras de restaurantes corporativos do país, a Sapore teve lucro líquido de cerca de R$ 34 milhões, receita líquida de R$ 1,6 bilhão e um Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de R$ 104 milhões em 2017. Segundo uma fonte com conhecimento do negócio, se a OPA for bem-sucedida, a alavancagem da companhia será de três vezes a relação dívida líquida/Ebitda, com possibilidade de cair já no primeiro ano.

Os planos da Sapore incluem, na sequência da oferta, a apresentação de uma proposta para combinação das duas empresas. O objetivo é que “a relação de troca e as demais condições da operação sejam negociadas de maneira independente e comutativa a serem submetidas para que seus respectivos acionistas decidam sobre a operação”, diz o edital. Tudo vai depender da adesão dos acionistas para que a OPA seja bem-sucedida.

A Sapore já havia informado a IMC sobre suas intenções. Depois que o Valor publicou reportagem a respeito da estruturação de nova oferta, a companhia foi provocada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a informar se tinha ou não o interesse de realizar a OPA, e assim o fez na sexta-feira. Ontem, a IMC publicou fato relevante, com a divulgação da carta da empresa de Mendez e sua resposta. A dona do Viena pediu que a CVM determinasse a publicação da OPA em até cinco dias, além de ter questionado os termos da oferta.

A IMC entendeu que a carta da Sapore não fornecia informações relevantes para que se tivesse um mínimo de certeza sobre a realização da OPA, como a exigência de recursos ou financiamento firme para seu lançamento, a identificação de instituição intermediária ou as condições para o lançamento do edital.

Também afirmou que diante do anúncio da intenção de realizar uma OPA, possivelmente seguida de combinação de negócios, a companhia tem que redobrar os esforços para manter o curso normal de suas operações. “E tudo isso sem que se tenha sequer a certeza de que vossas senhorias já asseguraram os recursos financeiros para a realização pretendida da OPA”. A manifestação, contudo, não representava opinião, favorável ou contrária, à eventual operação, completou a companhia.

“A Sapore está bem estruturada e com cultura sólida de serviços”, afirmou o diretor financeiro da Sapore, Elezir da Silva Junior. Para ele, a companhia possui experiência e tecnologia industrial que “padroniza e sistematiza a gastronomia, garantindo sempre a mesma qualidade”.

O próprio edital da OPA afirma que a combinação de negócios entre Sapore e IMC continua apresentando “forte racional e mérito para ambos os acionistas, mercado e parceiros porque cria uma companhia líder na América Latina com faturamento superior a R$ 3 bilhões e operações complementares nos serviços e no varejo”. As sinergias calculadas pela Sapore são da ordem de R$ 100 milhões ao final de três anos.

Até o momento, a Sapore não teve conversas com os principais acionistas da IMC e está elaborando uma estratégia para fazer isso ao longo dessa semana. Hoje, o maior deles é o Itaú Unibanco, com 10,1%, seguido da empresa de private equity Advent, que tem 10%. Para o diretor financeiro da Sapore o valor a ser pago está “bem atrativo” para os acionistas. Segundo ele, considerando as cotações do último mês, o prêmio a ser pago é de cerca de 30%. A IMC fechou o pregão de sexta-feira cotada a R$ 6,96, o que daria um prêmio de 25%, considerando o total a ser recebido, de R$ 8,63 por papel. 

Fonte: Valor Econômico

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