De uma só vez, Sapore compra controle de três startups

Sapore compra controle de três startups

Em mais passo para se aproximar do mundo das startups, a Sapore, uma das maiores empresas de refeições coletivas do Brasil, comprou o controle de três companhias novatas: a Lucco Fit, de comidas saudáveis; a Shipp, de entregas; e a Zaitt, que tem uma rede de mercados inteligentes e desenvolve sistemas de automação para o varejo. As duas últimas pertencem aos mesmos fundadores.

O valor investido nas operações não é revelado, mas faz parte de um orçamento de R$ 20 milhões que o grupo pretende destinar a companhias iniciantes ao longo deste ano. Os aportes são feitos por meio da Abanzai, holding que controle a Sapore e outras seis empresas. Com receita próxima de R$ 2 bilhões, a Sapore é a maior delas.

A aquisição da Lucco Fit, que prepara e entrega refeições congeladas e saudáveis na casa dos consumidores, dá ao grupo a possibilidade de reforçar sua atuação no varejo de alimentos – que conta com franquias de alimentação em aeroportos e terminais rodoviários, além da Yurban Food, loja de conveniência de comida fresca presente em 20 locais em São Paulo e no Rio.

Segundo Fábio Canina, presidente da Lucco Fit, a companhia conversou com 49 investidores diferentes ao longo de 2019. A empresa decidiu fechar acordo com a Sapore devido à possibilidade de a empresa ampliar sua escala de atuação, afirma o empresário, levando seus produtos aos clientes da nova controladora.

O consumo de comida saudável tem atraído o interesse de consumidores e investidores. Em setembro, a Liv Up, concorrente da Lucco, levantou uma rodada de R$ 90 milhões liderada pelo fundo ThornTree Capital, da qual também participaram Kaszek, Spectra e Endeavor Catalyst.

Criada em 2015, a Lucco Fit tem 30 funcionários e atende dois mil clientes por mês. A companhia já começou a explorar sinergias com a instalação de geladeiras com sua marca na empresa de serviços de tecnologia Tivit e no Cubo, a iniciativa de fomento a startups do Itaú e do fundo Redpoint eventures. Ambos são clientes da Sapore.

Os equipamento foram desenvolvidos em parceria com a Zaitt. A companhia criada em 2016 e que opera três mercados em São Paulo e no Espírito Santo vai continuar a abrir lojas próprias (serão mais três no primeiro trimestre), mas também passará a funcionar como base tecnológica para projetos de automação de atendimento, segundo Daniel Mendez, fundador e presidente da Sapore. “A automação ajuda na redução de custos nos momentos de baixa demanda. Você pode ter uma lanchonete autônoma 24 horas ao invés de um restaurante 24 horas. Mas fica mais difícil usar em horários de pico”, diz.

Sobre a Shipp, que tem 80% de sua receita concentrada na entrega de comida, Rodrigo Miranda, cofundador das companhias, diz que a oportunidade é de oferecer mais benefícios para os restaurantes parceiros.

De acordo com Mendez, o modelo de investimento em startups por meio da holding – e não diretamente pela Sapore – é uma forma de fazer com que as companhias mantenham sua independência, podendo atender o grupo e o mercado. A ideia é que as startups não percam agilidade e capacidade de inovação ao se integrar a uma estrutura maior. “Elas podem continuar como startups ou não”, diz.

Segundo ele, a companhia também não tem um formato fechado para as operações, podendo envolver a compra do controle, como ocorreu com Lucco Fit, Shipp e Zaitt, ou de participações minoritárias, como no caso da LinkAPI – desenvolvedora de sistemas que fazem diferentes tecnologias conversarem entre si. “Estamos testando modelos”, diz.

A imersão da Sapore no mundo das startups teve início em 2017. Até o ano passado, a companhia havia investido R$ 20 milhões em quatro companhias. Ela também é mantenedora do Cubo.

A Sapore teve que fazer vários ajustes internos para trabalhar com startups, como reduzir o prazo de pagamento dos serviços prestados, criar processos de aprovação mais rápidos e montar uma área de inovação e venture capital, que passou a ser dirigida por José Rodolpho Bernardoni. Mendez diz ter quase dispensado o executivo nos primeiros meses, por não entender seu papel na organização, até compreender a importância de se aproximar das startups. “A empresa não muda de fora para dentro, mas de dentro para fora”, diz.

Fonte: Valor Econômico

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