Reforma vai estimular fusões e aquisições, diz PwC

As operações de fusão e aquisição de empresas no Brasil podem crescer 20% em 2019 caso o governo consiga aprovar a reforma da Previdência, vista como crucial por investidores nacionais e estrangeiros para estabilizar a economia e criar um ambiente favorável aos negócios. A avaliação é de Rogério Gollo, sócio da PwC.

O número representa um aumento em relação à projeção que Gollo tinha no ano passado, de 15%, e está calcado no otimismo visto entre o empresariado neste começo de ano e na avaliação de que o país poderá crescer fortemente caso as mudanças nas regras das aposentadorias sejam aprovadas. “A maior preocupação dos investidores é o déficit crescente nas contas públicas, que o governo não consegue mais controlar”, diz Gollo. “Se a reforma não for provada, ainda vamos ver crescimento das operações, em torno de 5%, considerando um crescimento de 2% da economia.”

A reforma é vista como crucial para a atração de investidores estrangeiros, que tendem a olhar o país com mais cautela após os últimos anos de recessão. Dados compilados pela PwC a partir das transações divulgadas na imprensa e obtidos com exclusividade pelo Valor revelam que os investidores nacionais se posicionaram a frente dos investidores estrangeiros em 74% das aquisições e compras minoritárias anunciadas em fevereiro. “Os investimentos [internacionais] estão em compasso de espera. À medida que as coisas forem acontecendo, os investimentos virão”, afirma Gollo.

O ano começou com tendência positiva para fusões e aquisições, com um total de 120 no primeiro bimestre, um aumento de 23,7% sobre o mesmo período de 2018. Apenas em fevereiro, houve alta de 34%, para 67 operações. Segundo Gollo, o início de 2019 mantém o viés positivo demonstrado ao fim de 2018, graças à manutenção de uma equipe econômica no governo federal com postura pró-mercado, assim como a eleição de governadores com discurso de redução do tamanho da máquina pública. “O alinhamento entre Estados e governo federal na redução do tamanho do estado, em desestatizar, cria um sentimento positivo entre os investidores”, disse o sócio da PwC.

As recentes rodadas de concessões de projetos de infraestrutura são citadas como um sinal de que as empresas estão interessadas em investir, como foi no caso da 5ª rodada de concessões de aeroportos, que terminou com arrecadação garantida de R$ 2,4 bilhões para a União em outorgas à vista e ágio de 986%.

Não são apenas as concessões públicas que geram interesses dos investidores. A PwC identificou que o setor privado também atrai investimentos com o otimismo gerado pelas eleições. O setor de tecnologia da informação (TI) se mantém em 2019 como preferência de investimentos, com um total de 37 transações anunciadas em fevereiro, alta de 61%. Em seguida aparece serviços auxiliares, que agrega um amplo espectro de empresas, incluindo consultorias, escritórios de advocacia e laboratórios, com 19 transações, aumento de 171%. O segmento de serviços públicos teve crescimento de 25% das transações em relação a fevereiro de 2018, para dez.

Fonte: Valor Econômico

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