Rede São Francisco recebe ofertas de R$ 5 bi

O Grupo São Francisco, rede de saúde do interior de São Paulo que tem a gestora de recursos Gávea como acionista, recebeu na sexta-feira propostas firmes de aquisição de três grupos brasileiros. As ofertas variam de R$ 4,5 bilhões a R$ 5 bilhões, conforme o Valor apurou. A venda, se concluída, será o segundo maior negócio no setor de saúde já realizado no Brasil, atrás apenas da aquisição da Amil pela United Health, há oito anos.

Fundado em 1945, em Ribeirão Preto, o grupo tem atualmente hospitais e clínicas em diferentes cidades do interior de São Paulo, mais Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais e Paraná. A Gávea Investimentos tornou-se sócia em 2016, ao adquirir uma fatia de 28% por valor não revelado. O restante do capital é dividido entre diversas famílias, sendo Silveira Prado a maior.

A venda, coordenada pelo Goldman Sachs, se concretizada, será de 100% do capital. Capitalizada desde a chegada do fundo do ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga, a companhia fez investimentos em expansão de estrutura e aquisições nos últimos anos sem se endividar.

Com atuação verticalizada e operação também em odontologia e medicina diagnóstica, atende a quase 900 mil beneficiários, e tem os principais hospitais de alta complexidade da região de fundação. No ano passado, a companhia teve receita líquida de R$ 1,3 bilhão, com Ebitda de R$ 200 milhões. Após duas aquisições no fim de 2018, o Ebitda estimado para este ano é de R$ 300 milhões.

Apresentaram ofertas vinculantes a Notre-Dame Intermédicas, a Amil, pertencente à americana United Health, e a Hapvida. Grupos internacionais como Axa e Cigna, com tímida atuação no Brasil, também tinham demonstrado interesse no ativo durante o processo de venda.

Surfando o grande apetite por consolidação no setor, nacional e internacional, as famílias donas do São Francisco exigiram preço considerado alto pelos interessados, o que afastou fundos de investimento da lista de proponentes. No começo do ano, pouco antes de iniciar o processo de venda do controle, os sócios sondaram bancos de investimento considerando uma oferta pública inicial de ações (IPO). Por isso, colocaram como base para as conversas os múltiplos de negociação da NotreDama Intermédica.

A Intermédica, que estreou na B3 em abril do ano passado, é considerada a favorita para a aquisição. A companhia é avaliada em quase R$ 19 bilhões na bolsa, uma valorização de quase 90% em comparação com preço do IPO, obtida após diversas aquisições. O valor equivale a cerca de 20 vezes o Ebitda ajustado de R$ 885 milhões, registrado no ano passado. Para especialistas, a Intermédica não enfrentaria dificuldades em captar recursos no mercado para a transação.

Com receita líquida da ordem de R$ 6 bilhões e 4 milhões de vidas atendidas, a empresa apresenta o maior potencial de gerar sinergias com o negócio, segundo pessoa próxima à transação, devido à atuação na mesma área. Mas, justamente por isso, também representa o maior risco de execução no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), podendo ter de enfrentar restrições.

Juntas, São Francisco Hospitais e NotreDame alcançariam uma participação de mercado acima de 30% em diversas praças. Em julho de 2018, a Notre Dame adquiriu a Mediplan, em Sorocaba, e até o momento ainda não recebeu sinal verde para o negócio. No fim de março, o relator da operação se manifestou dizendo que ainda precisava aprofundar a análise do caso.

O Cade tem dado especial atenção ao segmento de saúde. Em 2013, vetou, por exemplo, a aquisição do hospital regional de Franca pela Unimed.

A aposta é que a Amil, que tem a liderança do mercado de saúde, não deve ser a mais agressiva em valor, embora tenha condições para uma oferta elevada já que tem uma gigante internacional como dona. Mas, além de também prever possíveis restrições e exigências do Cade, por ser a maior em algumas da cidade onde atua o Grupo São Francisco, a controladora United Health ainda está em fase de retorno do investimento na aquisição e também expansão no Brasil.

Embora Intermédica e Amil tenham sinergias importantes a obter com o negócio, é a Hapvida que daria o maior passo com o grupo originário do interior paulista. Com atuação concentrada na região Nordeste, a companhia passaria a ser considerada de atuação nacional.

Avaliada em quase R$ 20 bilhões, a Hapvida estreou na bolsa também em abril de 2018. Captou, na época, R$ 2,6 bilhões. Apesar de ter feito o IPO mais disputado da B3 no ano passado, a companhia vem sofrendo pressão dos investidores por não ter ainda feito aquisições significativas e não registrou grande valorização desde então.

Consultadas, Amil, Hapvida e Grupo São Francisco informaram que não comentam rumores de mercado. A Notre Dame Intermédica não deu retorno às solicitações do Valor.

Fonte: Valor Econômico

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