Positivo compra empresa de servidores

Perto de completar 30 anos de fundação, em maio deste ano, a Positivo Tecnologia vai ingressar no mercado de servidores – os computadores centrais de rede. A companhia anunciou, ontem, a aquisição de 80% do capital da ACC Brasil Indústria e Comércio de Computadores (Accept), que fabrica e vende servidores e dispositivos de armazenamento de memória.

O objetivo é aumentar a oferta de produtos e serviços para o mercado corporativo. Hoje, 60% da receita da receita da Positivo Tecnologia vem de aparelhos vendidos ao consumidor, como PCs, tablets e smartphones. Os 40% restantes vêm de empresas e vendas ao governo.

A companhia destacou, em nota, que a aquisição representa uma importante diversificação do negócio “em um período de recuperação da economia e de retomada dos investimentos em infraestrutura no Brasil”.

A negociação levou cerca de dois anos para ser concluída. O contrato foi assinado em 28 de dezembro e, como parte do acordo, os sócios da Accept, Silvo Ferraz de Campos e William de Araújo, continuam na gestão do negócio.

A expectativa é até triplicar o tamanho da Accept até 2023, com a atuação conjunta das empresas, disse Helio Rotenberg, presidente da Positivo, ao Valor. “A Accept tem crescido muito nos últimos anos. Com a união podemos baixar custos e crescer mais rápido.”

A Accept registrou faturamento de R$ 81 milhões no período de 12 meses até setembro de 2018. A receita tem apresentado crescimento médio anual de 25%.

Na Positivo Tecnologia, a receita líquida aumentou 5,9%, para R$ 1,4 bilhão, nos nove primeiros meses de 2018. O lucro líquido chegou a R$ 2,2 milhões, ante prejuízo de R$ 1,8 milhão no mesmo intervalo de 2017. A companhia sofreu o impacto da alta do dólar nos custos dos insumos, em meio a um ambiente de concorrência acirrada, sem muito espaço para reajustes de preços. Mas a empresa foi favorecida pela redução de custos obtida com a reestruturação do quadro administrativo.

Segundo Rotenberg, no mercado empresarial, a Positivo Tecnologia sempre concentrou sua atuação na venda de estações de trabalho. “Com a junção das empresas, vamos enriquecer bastante a oferta de equipamentos e serviços”, afirmou. Ele acrescentou que não há sobreposição nas carteiras das duas companhias, o que pode favorecer o aumento de vendas por cliente no futuro.

“Nossa participação de mercado nas grandes empresas é de 5%. A Accept poderá levar nossos produtos para seus clientes, fortalecendo também as vendas de terminais da Positivo”, disse Rotenberg.

O empresário observou ainda que a Positivo compra servidores e dispositivos de memória de outros fabricantes no Brasil e na China. Com a aquisição, ele espera substituir essas compras pela produção da Accept, melhorando a estrutura de custos da Positivo.

A Accept possui uma fábrica em Ilhéus (BA), enquanto a Positivo mantém unidades em Curitiba e Manaus. Futuramente, disse Rotenberg, a Accept poderá fabricar equipamentos nas unidades da Positivo e vice-versa. Mas, por enquanto, não há nada acertado.

Pelo acordo, o preço de aquisição da Accept será variável, e dependerá do cumprimento de metas de desempenho. A Positivo informou que vai pagar valores correspondentes a até 50% do lucro antes do Imposto de Renda/CSLL da Accept apurado anualmente entre 2019 e 2023, com valor agregado limitado a R$ 51 milhões, atualizado monetariamente.

As ações da Positivo Tecnologia acumularam em 2018 queda de 27,97%. Ontem, após a notícia da aquisição, os papéis da companhia subiram 7,14% no primeiro pregão da B3 no ano, cotados a R$ 2,40. O Ibovespa subiu 3,56%.

A aquisição, feita por meio da subsidiária Positivo Bahia, faz parte dos esforços da companhia para diversificar suas fontes de receita. Em 2018, a Positivo lançou a 2A.M., marca de computadores direcionada a aficionados por jogos eletrônicos. Iniciativas anteriores para ampliar o portfólio incluem a marca Quantum de smartphones, a venda de computadores da marca Vaio e a distribuição de produtos da Anker. A empresa também investe em startups, como a Hi Technologies, da área de saúde.

A Positivo Tecnologia é controlada pelo Grupo Positivo, que também tem negócios na área de educação. Segundo reportagem publicada pelo Valor em dezembro, com base em fontes do mercado, o grupo está negociando a venda de sua universidade com a Cruzeiro do Sul, Estácio e Ser Educacional por cifras entre R$ 500 milhões e R$ 600 milhões.

Fonte: Valor Econômico

 

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