PIPELINE: Fintech Agrolend atrai Continental Grain

Irmãos Glezer prometem crédito rápido e sem garantias para custeio da safra de pequenos produtores.

O brasileiro André Glezer passou quase sete anos prospectando aquisições e acompanhando as investidas da Arlon – gestora americana de private equity que conta com recursos da Continental Grain e do Rabobank -, mas mudou de lado do balcão e agora é ele quem passa o chapéu para fazer sua nova fintech decolar.

Ao lado do irmão Alan, que fez carreira em research de casas como a gestora Reach e Bradesco BBI, fundou a Agrolend, fintech que promete crédito rápido e livre de garantias para financiar a agricultura, atividade que nunca deixou de enfrentar resistência dos bancos privados pela pecha de “caloteira” – um fantasma do passado.

O networking dos fundadores abriu o caminho para uma rodada seed. Ainda em fase piloto, a Agrolend captou US$ 1,8 milhão (o equivalente a aproximadamente R$ 9 milhões) com 30 investidores – quatro institucionais.

A rodada contou com a participação direta da Continental Grain, conglomerado que também investe em Bunge e BRF, e das gestoras SP Ventures, Barn e Provence Capital – a firma de Leopoldo Figueiredo, ex-sócio da Hedging-Griffo, que já investiu em startups como a Gympass.

Para erguer a Agrolend, os irmãos Glezer trouxeram Valeria Bonadio, que era diretora jurídica do Finaxis – especializado na estruturação de FIDCs – e Leopoldo Vettor, com passagens por Rede e Buscapé. Valeria e Leopoldo, que é o CTO da fintech, completam o time de fundadores.

Com um aplicativo que se pluga à base de provedores de informações – da Serasa Experian a firmas de background check, passando por Neoway -, a Agrolend faz uma avaliação quase instantânea para conceder o crédito. A fintech já pediu licença do BC para se tornar uma SCD (Sociedade de Crédito Direto).

Os primeiros empréstimos serão feitos em abril, ainda em fase de testes. Com um tíquete que vai de R$ 50 mil a R$ 300 mil, a Agrolend dará crédito para custeio da safra, um financiamento de curto prazo. Produtores de grãos e hortifrútis participarão do piloto, que deve chegar a até 15 operações.

Inicialmente, Mato Grosso não está entre as áreas de atuação da Agrolend. Pelo porte dos agricultores do principal Estado produtor de soja, os cheques precisariam ser bem maiores. No futuro, qualquer região do país estará habilitada, e crédito para investimentos também está no radar.

Os fundadores não abrem as taxas de juros, mas garantem que as operações estarão em linha ou abaixo do custo oferecido pelas revendas ou indústrias – gigantes de insumos como Bayer e Syngenta ou mesmos grandes tradings.

Geralmente, os produtores de grãos tomam crédito com essas empresas por meio de barter, trocando a colheita futura pelo custeio da safra. Estima-se que as operações de barter somem R$ 100 bilhões por ano – em Mato Grosso, 47% do financiamento da produção de soja vem de revendas e grandes multinacionais.

O funding da Agrolend será próprio na fase piloto, mas a fintech já trabalha na estruturação de um FIDC para ganhar escala. O fundo, lastreado em recebíveis de produtores, deve ser captado em meados do ano. André vê espaço para captar inclusive no exterior. “O rendimento ao investidor vai ser alguns pontos percentuais acima do que o crédito high yi rende no Brasil”, diz o executivo.

O uso de FIDCs para financiar a cadeia agropecuária não é exclusividade da Agrolend. Recentemente, a gestora Sparta levantou R$ 48 milhões. A diferença é que o crédito foi originado por revendas – a gestora comprou os recebíveis, aliviando o balanço das empresa de insumos agrícolas. Na fintech dos irmãos Glezer, o empréstimo é feito por ela.

Fonte: https://valor.globo.com/ 

09/04/2021

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