Os Conselhos de Gestão de Crise

As empresas devem observar a mesma lógica dos países. Devem fazer poupança e no melhor dos cenários trabalhar com capital próprio. As linhas de crédito no Brasil de hoje são mais acessíveis, mas não é para toda a empresa e todo projeto.

Sem capital e em momentos de dificuldade, a empresa acaba criando um custo financeiro que encarece a sua operação, trazendo o risco de ingressar no famoso espiral da crise. Sem dinheiro, inicialmente, deixa de pagar os impostos e os custos acessórios dos funcionários; sem acesso ao crédito dos bancos, busca dinheiro ainda mais caro com factorings e agiotas.

Com o cenário de crise e incertezas se prolongando, a empresa só consegue comprar insumos e matéria-prima à vista. Sem matéria-prima e sem caixa a empresa não vende, não fatura e não paga suas obrigações, atingindo o ápice do círculo dos horrores para todo empresário nessa situação.

Mas como quebrar o paradigma dessa realidade que parece não ter fim?

Uma medida simples de governança e gestão pode ter um impacto imenso nessa realidade. A criação de um Conselho de Gestão de Crise. Numa empresa em crise, tão ou mais importante que a área comercial, financeira, de recursos humanos e marketing é a estrutura de gestão de crise que deve ser instituída de forma permanente e que passe a nortear a tomada de decisão e a relação com as demais áreas da corporação. É sabido que o empresário em crise gasta mais de 80% do tempo apagando incêndios (renegociação com bancos, visita de oficiais de justiça, baixa de protestos, busca de dinheiro na praça e outros malabarismos). Não sobra tempo e energia para se pensar na empresa, no reposicionamento de mercado, na moral dos colaboradores e em tantas outras medidas que o concorrente continua focado.

O conselho deve ser formado por profissionais internos e consultores externos como o contador, o jurídico, membros do atual conselho e a controladoria. Internamente deve ser direcionado ao conselho aquele colaborador que absorve bem a realidade e sabe trabalhar sob pressão. Se for um bom negociador melhor ainda.  Pessoas crescem na dificuldade. Essa conhecida frase pode em muito ser aplicada a essa realidade. Observem que há casos em que profissionais qualificados e produtivos numa crise travam e outros menos preparados se desenvolvem e abraçam ainda mais a causa.

Importante que o Conselho de Crise fique responsável por gerir o passivo e os problemas daí existentes, liberando a empresa e seus diretores para produção, aumento das vendas e controle rígido de custos. Aqui está uma pista para quebrar o ciclo de crise de uma corporação.

Fabrício Scalzilli

Nello Investimentos

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