O Voo de David Neeleman

David Neeleman nasceu em São Paulo, em outubro de 1959 e deixou o país aos cinco anos de idade para viver nos Estados Unidos, onde sua família morava antes de seu pai vir trabalhar no Brasil como jornalista.

Paulistano de nascimento, cidadão americano, pai de nove filhos e mórmon fervoroso, Neeleman adora dizer que trouxe humanidade ao transporte aéreo. “Dou aos clientes tudo aquilo que eles buscam: passagens baratas, aeronaves novas, atendimento diferenciado e entretenimento a bordo”.

Apesar do trabalho intenso durante a semana, ele aproveita bem os dias de folga. Frequenta a igreja todo domingo e passa os finais de semana apenas com sua família.

Hoje, David Neeleman é um dos maiores empreendedores da aviação. No entanto, sua infância e adolescência não foram das mais brilhantes. O empresário não gostava de ler ou escrever e obteve notas apenas razoáveis na escola. Frequentou a Universidade de Utah por apenas três anos, antes de desistir.

O espírito empreendedor de Neeleman pôde ser notado desde cedo. Seu primeiro emprego foi vendendo pacotes turísticos para o Havaí para seus colegas de faculdade. Com pouco mais de 20 anos, Neeleman já era dono de uma agência de viagens, a IFS. Então June Morris ligou e disse que queria que Neeleman trabalhasse para ela na Morris Travel, outra agência de viagens de Salt Lake City. Com apena 24 anos, Neeleman ajudou a transformar a Morris Travel numa companhia aérea regular, a Morris Air, com foco em tarifas baixas.

A companhia começou como uma operadora de voos charter e ganhou uma força tão grande no mercado americano que acabou sendo comprada pela Southwest, por US$ 129 milhões. Na negociação, Neeleman ganhou ações da Southwest e passou um breve período como executivo da empresa. Mas saiu de lá porque “eles não queriam um cara como eu, de 32 anos, dizendo o que deveria ser feito”, segundo ele. Fora da Southwest e com US$ 25 milhões no bolso, ele poderia simplesmente parar. Mas seguiu adiante. “O que me move não é dinheiro e sim a competitividade”, afirma.

Ao deixar a Southwest, ele criou o Open Skies. O sistema operava em terminais touch screen nos aeroportos e permitia reservas de bilhetes e auto check in. A empresa foi comprada pela HP em 1999 e seu produto ainda é utilizado por 80 companhias aéreas.

Enquanto desenvolvia o sistema Open Skies, David Neeleman também fundou a canadense WestJet Airlines, uma companhia aérea de baixo custo no Canadá, precursora do que viria a ser a JetBlue em 1996. atualmente é a segunda maior companhia do país, atrás da Air Canada e tem mais de 10 mil funcionários.

Em 2008, Neeleman anunciou a intenção de criar sua quarta companhia aérea. Ela seria voltada para o mercado doméstico brasileiro, seu país natal. Para definir o nome da nova operadora aérea, o empreendedor criou uma campanha, www.voceescolhe.com.br, em que o público poderia enviar ideias e sugestões. Depois de quase 110 mil cadastros, entre as melhores opções estavam Abraço, Alegria, Azul e Samba. Ainda que Samba tivesse sido o nome mais votado, Neeleman escolheu o nome Azul Linhas Aéreas Brasileiras, por inspirar sentimentos positivos e aludir ao céu. O ganhador recebeu passe vitalício na nova companhia. Hoje, a Azul é a terceira companhia do setor no Brasil, com 15,87% de mercado e com a maior taxa de ocupação, 89,70%, em janeiro.

Em 2016 David Neeleman venceu a disputa pela compra da companhia aérea estatal portuguesa TAP. Neeleman enxerga uma forma de fazer sua próxima empresa aérea americana se destacar em um mercado no qual concorrentes grandes e pequenas parecem decididas a enfiar passageiros com orçamentos limitados em cabines apertadas.

Em janeiro de 2019, a nova companhia aérea, a Moxy Airways, firmou um pedido de 60 unidades do Airbus A220-300 e agora o início das entregas já está definido.

Os primeiros A220 da encomenda, feita junto à GECAS, entrarão em operação em abril de 2021. Isso significa que faltam menos de dois anos para a Moxy começar a voar e mostrar se Neeleman deu mais um tiro certeiro na aviação.

Fonte: Época Negócios, Exame.com, airway.uol

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1COMENTÁRIO
  • ivo antonio clemente junior
    5 de setembro de 2019

    História empreendedora muito inspiradora!!! Excelente artigo!!!

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