O Propósito Empresarial e as Boas Intenções! Não é Bem Assim!

Há um grande movimento global na busca de se descobrir ou, ao menos, redefinir o real “propósito” das empresas; ou seja, a sua real razão de existir, que irá moldar a sua cultura, comunicação e as suas ações futuras. Neste contexto, vem sendo colocado em xeque o princípio de que os interesses dos acionistas devem sempre estar em primeiro lugar. Colin Mayer, professor da Saïd Business School de Oxford e especialista em operações de fusões e aquisições, ressalta em seu livro “Prosperidade” que “colocar os interesses dos acionistas acima dos de funcionários, do meio ambiente ou das comunidades podia fazer sentido quando o capital era escasso, mas agora as finanças são abundantes, enquanto o capital humano, natural e social é que é escasso”. Na outra ponta, equivocado está em execrar acionistas e investidores e seus respectivos interesses legítimos. São eles que, na maioria das vezes, financiam a operação, acreditam incondicionalmente no negócio e assumem os maiores riscos. Portanto, possuem um papel inquestionável em qualquer economia. O escritor americano Anand Giridharadas, o qual fora colunista no New York Times, em seu novo livro “Winners Take All” traz uma afirmação inquietante: “os vencedores da nossa época devem ser desafiados a fazer mais o bem. Mas nunca, nunca lhes diga para não fazerem menos mal”. No mundo dos negócios, em especial das fusões e aquisições, vale ficar atento para essa profunda e verdadeira realidade. O bem e o mal convivem muito próximos. O mal sempre está na espreita do bem, podendo engoli-lo a qualquer momento. Por mais que as intenções sejam as melhores, é fato que numa operação de M&A haverá choque de cultura, luta por espaços, imposições de valores corporativos, dispensa de colaboradores e mudanças em práticas corporativas. Haverá vencedores e vencidos, num processo de transformação corporativa duro e as vezes até desleal. Empresas tombam em operações de M&A mal conduzidas. As que sobrevivem saem geralmente mais fortes, forjadas pelos valores e cultura dos novos compradores. Os acionistas continuarão lutando por seus interesses, mesmo como uma consciência social, ambiental e antropológica mais aguçada. Mas como disse Giridharadas, nunca lhes diga para não fazerem menos mal.

Fabrício Scalzilli

Sócio da Nello Investimentos

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