O Mundo Real das Operações de Fusões e Aquisições

Estamos acostumados em acompanhar, com grande impacto na mídia, operações de compra e venda de grandes empresas. Os termos técnicos, as comunicações formais dos grupos envolvidos, a opinião de especialistas e palpiteiros sobre o que vai ocorrer no futuro. Os números e dados da empresa e do mercado são jogados para todos os lados em busca de tendências e respostas para àquele movimento.

Esta realidade passa às pessoas comuns, e aqui incluo empresários e empreendedores que hoje pensam em vender suas operações, que um processo desta natureza é totalmente técnico, frio e calculista. Não é bem assim! Nem nas grandes empresas ou corporações de médio porte, incluindo àquelas de gestão familiar.

Conceitos de antropologia e psicologia estão enraizados claramente nos movimentos de compra e venda das empresas. Os nossos medos, as nossas angústias, as vaidades, decepções, expectativas, ambições e egoísmos, envoltos nas relações profissionais, sociais e familiares, levam a desgastes entre sócios e familiares, podendo ser o motivo central da decisão pela venda da empresa. Há outros motivos.

O cansaço, a falta de sucessão, a falta de expectativa de um país melhor ou ainda a vontade de ir viver em Miami. A concentração de poder ou aniquilar o concorrente; ficar rico, medo de ficar pobre, filhos incompetentes e perdulários. A lista dos “problemas”, desejos, medos e ambições não tem fim.

Neste momento, diversos empresários estão pensando em vender as suas empresas. Decisão extremamente difícil, com inúmeras variáveis envolvidas. Entenda apenas que o fator financeiro, quanto a avaliação do negócio, é apenas um pilar a ser levado em conta. Tente ampliar os horizontes e entender o real motivo da venda. Identifique quem será atingido pela operação, negativa ou positivamente; se cerque de pessoas leais e competentes.

Obtenha o apoio da família e amigos próximos e aí sim siga um processo claro, frio e objetivo. A psicologia humana e a antropologia como ciência devem ser aprofundadas, para fortalecer o empreendedor a tomar uma decisão correta. Ninguém quer perder dinheiro. Mas pior que isso é colocar toda a operação ou bens maiores, como a família, a saúde, os amigos, o caráter e uma bela história, no lixo.

Fabrício Scalzilli

Sócio da Nello Investimentos

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