“O mercado de veículos elétricos vai quintuplicar”, diz Ricardo Guggisberg

O caminho para os veículos elétricos e híbridos começa a ser pavimentado. Foi sancionado pelo Planalto o programa Rota 2030, com incentivos para o setor como a redução de IPI para os carros que utilizam energia limpa — chegava a 25% e agora ficará entre 7% e 20%. O presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), Ricardo Guggisberg, elogia a decisão, mas diz que ainda é necessário cortar IPVA e ICMS.

O que esperar do mercado de veículos elétricos agora?

Foi um passo importante, mas há muito por fazer. Houve a correção de uma injustiça tributária, e não um verdadeiro incentivo. O governo limitou-se a equiparar o IPI dos veículos elétricos e híbridos ao dos comuns. Mas o presidente Temer está de parabéns. O mercado reagirá positivamente. Poderemos ter mais de 10 mil veículos elétricos e híbridos no país neste ano.

Em que mais é preciso avançar?

Governadores e prefeitos têm de fazer a sua parte, reduzindo impostos estaduais sobre os elétricos, como IPVA e ICMS. Prefeitos devem incentivar a eletromobilidade com isenção de rodízio e facilidades de estacionamento. Estimular leis municipais e regionais que obriguem a troca do diesel por combustíveis renováveis no transporte público e nas frotas de prestadores de serviços às prefeituras. E avançar na instalação de redes de eletropostos nas grandes cidades e nas principais rodovias.

Carros elétricos serão uma realidade no Brasil no curto prazo?

Vai acontecer o que houve nos últimos cinco anos em vários países da Europa e Ásia: crescimento exponencial. Em um par de anos, os carros elétricos farão parte da paisagem das grandes cidades brasileiras.

Em que nível está a produção?

Todos os elétricos e híbridos em circulação no país são importados. As montadoras aguardavam a definição do IPI e do Rota 2030 para planejar a produção aqui. Toyota, Nissan, GM e BYD já admitiram essa possibilidade. É cedo para avaliar a capacidade produtiva nos próximos anos. Depende de estratégias globais. Mas, no mercado de transporte público, as empresas instaladas no Brasil podem produzir ao menos 2 mil ônibus por ano.

E qual é a expectativa de mercado?

Em 2017, o mercado no Brasil triplicou em relação a 2016. Foram 3.296 unidades vendidas. Nos cinco primeiros meses de 2018, cresceu 65% em relação ao mesmo período de 2017. Se continuar nesse ritmo, 2018 passará das 5 mil unidades vendidas. Portanto, o mercado terá quintuplicado em apenas três anos.

Como avalia a dependência dos caminhões a diesel?

A paralisação dos caminhoneiros mostrou que essa dependência não é apenas econômica. O país quase entrou em colapso. Foi uma crise tão grave que não poderá mais ser ignorada por nenhum governo. Mudar a matriz de combustível dos transportes tornou-se questão de segurança nacional.

E os caminhões elétricos?

Essa solução está bem próxima. Em outubro, a Volkswagen anunciou o seu primeiro caminhão elétrico. O lançamento mundial foi na Alemanha, mas o veículo foi desenvolvido no Brasil. Em maio deste ano, a BYD fechou contrato com a Corpus para a compra de 200 caminhões de lixo totalmente elétricos para atender a região de Campinas (SP).

Fonte: GauchaZH

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