O Empreendedor e os Desafios do Mundo Real

O momento atual é de pura reflexão sobre o que realmente será importante para sobreviver no mundo empresarial. Tão importante quanto o trabalho duro é o ócio criativo; ou seja, é tempo para tirar do papel ideias e projetos que possam realmente impactar o mercado e fazer a diferença. Ser produtivo e indispensável é um desafio monumental, frente a diversos estudos e pesquisas apocalípticas que ressaltam que a maioria das atividades e profissões podem sumir em um futuro próximo.

O problema não está nas boas ideias e intenções, mas na ponte que liga o modelo de negócio teoricamente almejado à execução de um projeto no mundo real. Implementar um modelo de negócio que crie, entregue e capture valor a sociedade e, por consequência, gere lucro, não é fácil. Vencendo-se a etapa da definição do modelo de negócio, os problemas se aprofundam, haja vista que os empreendedores, principalmente os jovens, com pressa e visão de curto prazo, suprem etapas importantes do processo de formação de um negócio, tais como pesquisas de mercado, benchmarking, orçamento, análise de riscos, barreiras de entrada, diferenciais competitivos, bem como outros atributos que devem compor o seu plano de ação.

A experiência profissional e de vida e os erros e acertos são fundamentais para a realização de uma nova empreitada. Muitas empresas surgem, crescem e se mantém no mercado sem sequer terem elaborado um plano de negócio ou mesmo um plano estratégico. Foram crescendo, ganhando espaço com um jeito único e diferente de gestão. As vezes até difícil de entender como chegou até lá. Mas são exceções! O plano de negócio é um instrumento que auxilia os empresários a colocar ideias no papel, a materializá-las e a estimar a sua viabilidade técnica, mercadológica e econômica.

A estratégia motiva o modelo de negócio. É ela que irá realçar os objetivos que pretendem ser alcançados. Mas não só ela. Outras áreas devem ser bem alinhadas para dar sustentação ao modelo de negócio: Estrutura, Processos, Recompensas e Pessoas. O modelo de negócio irá determinar a estrutura organizacional ideal para sua execução. Os processos também são definidos, conforme cada negócio, equilibrando, em muitos casos, a valorização da qualidade versus o baixo custo. Por outro lado, diferentes sistemas de recompensa são implementados, para que as pessoas ajam e façam a coisa certa. E, por fim, cada modelo de negócio exige um perfil de profissional, com experiências e qualificações apropriadas. Conhecer a si mesmo, suas limitações e as suas capacidades, neste cenário, é mais que essencial.

E, no Brasil, tudo fica mais difícil.

A Revista Exame publicou, em abril de 2015, uma matéria sobre a falta de planejamento nas obras de infraestrutura no país. Na matéria, a revista menciona um estudo do Núcleo de Infraestrutura e Logística da Fundação Dom Cabral que ressalta que no Japão, por exemplo, a elaboração de projetos, a montagem dos cronogramas e as projeções de custos consomem 40% do tempo previsto para uma obra. Na Alemanha o tempo gasto é de 50%. E, a título de comparação, no Brasil, somente um quinto do tempo é gasto com as fases ligadas a planejamento. A legislação permite que as obras possam ser iniciadas apenas com um projeto básico, afirmava Paulo Resende, Professor da Fundação Dom Cabral, de Minas Gerais.

Como não há estudo aprofundado e falta a cultura do “planejar”, os imprevistos acabam aumentando o custo das obras e, em muitos casos, trazem como consequência a paralisação do empreendimento por anos. Segundo dados do Tribunal de Contas da União – TCU, um terço das obras fiscalizadas em 2014 apresentavam falhas no projeto. A reportagem finaliza com um lembrete:

O pior: tanto tempo e dinheiro não estão sendo gastos para atingir feitos extraordinários, como levar astronautas a Marte. Trata-se de construir pontes, estradas, ferrovias e portos, entre outras obras cujas tecnologias são dominadas há décadas ou séculos (Revista Exame, 2015).

Identificar boas oportunidades é uma arte. Alocar recursos em uma empresa ou em um projeto tem seus riscos, mas com possibilidades de ganhos imensos. Os investidores, no entanto, estão amadurecendo rapidamente. Não existe ganho fácil. Modelos de negócio e ideias sem sustentação técnica, que não estejam alicerçados no “como fazer” e o “por que fazer” não tem mais espaço. A fase da mera apresentação em powerpoint acabou!

Fabrício Scalzilli

Sócio da Nello Investimentos

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