Novo fundo visa investimento em startup mais madura

Na “escada” de investimento em startups no Brasil, os degraus iniciais de capitalização das companhias ficou bem coberto nos últimos anos. Investidores-anjo, fundos de capital semente, aceleradoras e fundos de investimento têm oferecido os recursos para quem precisa de valores até uma faixa de R$ 15 milhões.

Mas quando chega a hora de investir volumes maiores, a participação de fundos locais praticamente deixa de existir. Mistura de aversão ao risco e imaturidade do mercado, esse cenário acaba levando muitas empresas a ficar
estagnadas ou partir para capitalização via bancos.

Atenta a essa lacuna, a A5 Investimentos, de Paulo Humberg, juntou-se aos executivos Mauro Muratório Not (exMicrosoft) e Osvaldo Barbosa de Oliveira (ex-Microsoft e LinkedIn) para montar um novo fundo voltado a empresas de maior porte, com receita acima de R$ 100 milhões. “Existe uma safra de 175 empresas, criadas a partir de 2010, que já teve apoio de casas de investimento sérias e estão bem organizadas, com modelos de negócios comprovados”, diz Humberg.

O A5 Open Growth Fund é o terceiro fundo da A5 e pretende captar US$ 150 milhões para investir em um portfólio de cinco a oito empresas. Os aportes vão ficar entre US$ 5 milhões e US$ 20 milhões. A estratégia é comprar participações minoritárias.

Do total do fundo, 30% serão reservados para rodadas de investimento posteriores nas companhias, depois que a startup já recebeu os recursos iniciais. É o chamado “follow-on”. De acordo com Humberg, cerca de 15% do total do fundo já foi levantado com investidores internacionais e brasileiros.

A ideia é fechar o ano com US$ 30 milhões e, depois, fazer novas rodadas de captação no mesmo valor até chegar a US$ 150 milhões. Os sócios também esperam fechar o primeiro aporte ainda em 2018. “Como são empresas que já vêm bem cuidadas, a análise é mais tranquila”, diz Humberg. A A5 administra R$ 200 milhões em dois fundos, cujos investimentos incluem 11 empresas, como Kekanto, Q!Bazar e Bebê Store.

Apesar de ter sido criado sob um modelo clássico – em que a participação no capital da empresa pode durar até 10 anos – o novo fundo tem como objetivo ter um giro mais rápido da carteira, entre três e cinco anos. De acordo com Humberg, isso será possível por conta do perfil das empresas investidas, que serão mais maduras.

“Isso reduz muito o risco inerente ao ‘venture capital’. A ideia é que, de 10 investidas, 10 vão dar certo. Não só uma ou duas [como ocorre com o investimento em empresas iniciantes]”, diz.

Os alvos estão nos setores de educação, agronegócios, finanças e logística. A atenção ficará concentrada em empresas que vendem para outras empresas (B2B), sob modelo de assinatura (SaaS). Mas empresas que atendem consumidores (B2C) também podem ser avaliadas.

Segundo a Associação Latino-Americana de Private Equity & Venture Capital (Lavca), os investimentos em operações de capital de risco no Brasil somaram US$ 859 milhões no ano passado, com 113 negócios. Foi um avanço considerável frente aos US$ 279 milhões e 64 negócios de 2016.

O total investido foi impulsionado pelos US$ 200 milhões que SoftBank, Didi Chuxing e Riverwood Capit 99 e pelos US$ 135 milhões que a Movile captou com a Naspers e a Innova Capital, em duas rodadas.

Fonte: Valor Econômico

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