Netshoes pode custar US$ 107 milhões

A venda da operação da Netshoes coloca, pela primeira vez, B2W, Magazine Luiza e Mercado Livre – três das quatro maiores empresas de comércio eletrônico do país – numa competição direta por um negócio de peso. Mas apesar da liderança da Netshoes na venda on-line de moda esportiva, os valores da transação não devem ser tão expressivos.  A Netshoes enfrenta uma série de dificuldades – com venda em queda, alto consumo de caixa e antigas divergências entre sócios. O Valor apurou que, apesar do interesse no ativo, B2W e Magazine Luiza já sinalizaram que não estão dispostas a pagar “qualquer preço” pela empresa. Também não abrem mão de ficar com o controle do negócio. O fundador Marcio Kumruian foi sendo diluído ao longo dos anos, com entrada de sócios e aportes na empresa (tem 12% da Netshoes), mas quer se manter como sócio, caso a venda avance, uma fonte a par do assunto. Pelos cálculos da XP Investimentos, uma aquisição (sem prêmio) deve ficar em, pelo menos, US$ 107 milhões, incluindo dívida e considerando o valor de mercado. Ontem, começou a ficar mais claro que investidores preferem que o Magazine fique com a empresa do que B2W, ao se levar em conta a situação de caixa e endividamento das companhias.  O Valor informou em setembro que a Netshoes contratou o banco Goldman Sachs para vender a operação, e que B2W, Magazine Luiza, Mercado Livre, Centauro e Advent avaliaram o ativo. Na terça-feira, o site “Brazil Journal” também publicou a informação. As ações da B2W, naquele dia, caíram mais que a bolsa e fecharam com recuo de 3%. O Magazine caiu 0,26%. Desde a terça, a B2W perdeu 1% de seu valor e o Magazine ficou estável. Há outros fatores que pesam nessas variações ao longo dos pregões, mas nos últimos dias analistas também passaram a divulgar relatórios dos efeitos da negociação sobre as duas companhias, com diferentes análises para cada. “Dentre os ‘players’ do setor, Magazine é a que conta com uma estrutura de capital mais equilibrada e menor nível de alavancagem financeira”, escreveu em relatório o estrategista da Guide Investimento, Luis Gustavo Pereira. Segundo ele, a aquisição daria ao Magazine a entrada no segmento de venda de vestuário on-line, enquanto a B2W almeja se consolidar no comércio eletrônico – a empresa perdeu a liderança para o Mercado Livre em 2018. “Mas ainda assim, a B2W permanece com um elevado endividamento”, e isso teria que ser considerado num eventual acordo. Na visão da equipe da Brasil Plural, a aquisição, se ocorrer, deve ter efeito neutro para o Magazine. “A operação não teria um crescimento tão atrativo em vendas para o Magazine capturar. No entanto, a empresa poderia aproveitar a oportunidade para entrar em vestuário e calçados”, disse Andres Estevez, analista da Brasil Plural.  “Para a B2W, vemos a possível aquisição como negativa, pois acreditamos que a empresa não possui caixa extra disponível para a aquisição de uma empresa com crescimento lento e com queima de caixa”, disse. Em dezembro, a B2W somava dívida líquida de R$ 1,7 bilhão versus R$ 1,4 bilhão um ano antes, uma alta de 16%. O lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda), em R$ 410 milhões, cresceu 19%. No Magazine Luiza, o Ebitda cresceu 21% e dívida líquida caiu de R$ 800 milhões para R$ 550 milhões no mesmo intervalo.  O Mercado Livre, após a recente capitalização dos sócios de cerca de US$ 2 bilhões, também teria algum fôlego maior para absorver a operação, na visão dos analistas.  A Netshoes, em 12 meses, elevou seu consumo de caixa no braço financeiro e na operação, levando a uma redução do recurso disponível. A empresa tinha R$ 50 milhões como saldo de caixa ao fim de setembro, ante R$ 310 milhões um ano antes. A dívida líquida era de cerca de R$ 140 milhões em setembro, mais que o dobro do ano anterior. As vendas líquidas atingiram R$ 1,24 bilhão de janeiro a setembro de 2018, uma queda de 2%. Ontem, em comunicado, a Netshoes disse que “à luz da crescente pressão sobre o desempenho e condição financeira da empresa, está explorando várias alternativas estratégicas para preservar o valor para os acionistas”. B2W e Magazine confirmaram na quarta-feira que negociam com a Netshoes. O Valor informou na terça que, após avaliar a empresa, Centauro e Advent teriam descartado avançar nas negociações.

Fonte: Valor Econômico

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