Movimento na area de fusoes e aquisicoes surpreende escritorios de advocacia

Movimento na área de fusões e aquisições surpreende escritórios de advocacia

O movimento na área de fusões e aquisições nos grandes escritórios de advocacia tem surpreendido advogados da área, que acreditavam que haveria uma estagnada geral. Algumas operações continuam e até novos negócios pontuais têm surgido com a expectativa de que a crise gerada pela covid-19 não durará muito. Desde o fim da semana passada, também já começaram a existir consultas de empresas brasileiras que avaliam oportunidades de negócios gerados com a desvalorização de companhias em meio à crise.

Segundo Amir Bocayuva Cunha, sócio da área societária e sócio diretor do BMA Advogados, essas consultas ainda são bem incipientes, para avaliar se o escritório poderia atuar no caso se houver uma operação. Em geral, são investidores estratégicos, e não investidores financeiros, que avaliam a possibilidade de fusão com alguma  concorrente ou compra. “A crise gerou depreciação de ativos e isso gera algumas oportunidades”, diz. Segundo o advogado, haverá um momento que essa crise vai acabar e algumas empresas estão enxergando lá na frente e estarão melhor posicionadas do que outras.

Apesar desse movimento, Cunha afirma que no BMA cerca de 90% das operações foram suspensas ou estão em ritmo lento, após a decretação de quarentena em alguns Estados. Entre os que seguem, cerca de 40% a 50% estão tendo alguns aspectos renegociados, em decorrência da crise, com a expectativa de alteração quando tudo voltar ao normal.

Marcela Ejnisman, sócia na área de fusões e aquisições de TozziniFreire, afirma que “surpreendentemente as oportunidades continuam aparecendo”. Segundo a advogada, 30 operações que já estavam em andamento não pararam, principalmente aquelas em que há acordos com fundos de investimento e que têm que continuar com a operação. Poucas, apenas duas ou três, foram suspensas.

Há ainda empresas que estão observando para localizar oportunidades de negócio diante da crise. O escritório vem negociando mais aproximadamente dez projetos nos últimos dias. “Tem existido uma reflexão maior. As empresas estão avaliando melhor a situação antes de tomar decisões, mas estão se reinventando com a crise”, diz.

João Ricardo de Azevedo Ribeiro, sócio de direito societário do Mattos Filho Advogados, afirma que os negócios foram evidentemente impactados com a crise gerada pelo coronavírus. “Muitos foram suspensos, outros estão em fase de observação, mas, surpreendentemente, temos novas operações.” Para ele, “a expectativa imediata era de estagnação, mas, no nosso termômetro, estamos vendo um movimento razoável”. Segundo o advogado, algumas novas operações têm existido, de negócios que já estavam no radar antes da crise. “O que existe é um movimento natural de ver a continuidade de negócios além desse momento temporário de crise.”

Para ele, deve haver mais à frente, apesar de ainda não ter sido detectado no escritório, um movimento de empresas interessadas em fusões com concorrentes, ou de aquisições. “Devemos ter ainda esse mercado gerado com relação às oportunidades que vão se criar diante da fragilidade financeira de outros”, diz.
Fonte: Valor Econômico

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