Moove volta a mirar novos ativos de lubrificantes

Moove volta a mirar novos ativos de lubrificantes

Dando continuidade ao projeto de internacionalização, após uma parada para integrar os ativos comprados no exterior em 2017 e 2018, a Moove volta-se neste ano para uma nova rodada de aquisições. Já há conversas em curso sobre a retomada de crescimento dentro da companhia, disse ao Valor o presidente da empresa, Filipe Affonso Ferreira. “Em 2020, chegou a hora de voltarmos para o ‘moden’ expansão, sem, no entanto, perder o foco em Brasil, que é a nossa grande operação”, afirmou.

A empresa, terceira maior companhia de lubrificantes do país, tem uma situação financeira confortável, apta a entrar em nova fase de expansão, com foco fora do Brasil. No início do ano passado, recheou o caixa com R$ 562 milhões ao vender uma participação de 30% do capital para um sócio investidor, o fundo britânico de private equity CVC Capital Partners.

A Moove tornou-se um dos negócios do grupo Cosan em 2008, quando seu acionista controlador, Rubens Ometto, adquiriu a distribuidora de combustíveis Esso, da Exxon Mobil. Junto, o empresário negociou a licença da marca Mobil, para comercializar o produto, herdeou ativos operacionais e criou a Cosan Lubrificantes e Especialidades. Globalmente, atua também com a marca Comma e outras profissionais.

A expansão internacional começou em 2011, com a aquisição dos direitos exclusivos de venda do lubrificante Mobil no Paraguai, Uruguai e Bolívia, passando a exportar o produto para esses países a partir de sua fábrica no Rio, na Ilha do Governador. No ano seguinte, um novo passo: adquiriu a marca Comma na Inglaterra, juntamente com uma fábrica, em Kent, e se expandiu nos mercados europeu e asiático. Em 2016, chegou à Espanha.

Não parou por aí. Outros movimentos de peso para o negócio ocorreram em 2017 e 2018. Foram comprados o WP Group, no Reino Unido, a TTA, na França, a Lubrigrupo, em Portugal, e a Metrolube , nos Estados Unidos. Neste país passou a ser um distribuidor autorizado da Exxon. A empresa também criou a Moove Argentina, que obteve a licença para vender o Mobil no país.

Em 2018, informa Ferreira, a Moove renovou o direito de uso exclusivo da marca por mais 20 anos no Brasil e outros países.

“De 2017 para cá, os investimentos em aquisições e infraestrutura superaram a casa de R$ 400 milhões”, disse o executivo, que assumiu o comando da empresa no início de 2016. O plano, afirma, é tornar a Moove uma referência internacional no negócio de lubrificantes, com uma operação de alto valor agregado.

Com a fábrica brasileira, aliada a um terminal, e a unidade inglesa, a Moove tem capacidade instalada para produzir mais de 400 milhões de litros de óleo e especialidades químicas por ano. A empresa atende os mercados de automóveis e motos, que é um terço do mercado; o comercial (veículos leves, caminhões e ônibus, máquinas de construção e outras) – também um terço da demanda – e a área industrial (nesse segmento, o modelo é o B2B, baseado em performance).

Ferreira disse que a empresa é líder de mercado em produtos sintético e semisintéticos e atua também com lubrificante mineral, utilizado mais pelo consumidor comercial. A Moove concorre com nomes tradicionais nesse negócio – a BR Distribuidora, dono do Lubrax, a Shell, com o Rímola, a Iconic, fusão de Ipiranga e ChevronTexaco, a malaia Petronas, entre outros, de menor peso local, como YPF, Total e Castrol.

De acordo com dados da ANP, agência setorial do setor de petróleo, gás e combustíveis, o mercado de lubrificantes no país – que é disputado por mais de 200 empresas, entre grandes, médias, pequenas e importadores – movimentou 1,42 bilhão de litros de janeiro a setembro. Esse volume foi produzido em mais de 70 unidades fabris, sendo quase 1 bilhão de litros no Rio de Janeiro.

“Desde que foi adquirida, há mais de dez anos, a Moove ganhou dez pontos de participação de mercado”, destacou Ferreira. Na comercialização total do país, conforme o último boletim da ANP sobre o produto, de setembro, a companhia ficou com 15,1% das vendas, atrás de BR e da Iconic, que disputam ponto a ponto a liderança do mercado.

O executivo diz que há espaço para crescer tanto organicamente quanto com aquisições. “Por exemplo, na Europa  não estamos no mercado industrial. Estamos começando a trabalhar.”

Segundo dados financeiros divulgados em apresentações do grupo Cosan, de janeiro a setembro de 2019 a Moove obteve receita líquida de R$ 3,14 bilhões – anualizado, esse valor seria da ordem de R$ 4,3 bilhões. “Já somos uma empresa com faturamento na casa de R$ 5 bilhões”, afirmou Ferreira. A receita total de 2018 foi de R$ 3,45 bilhões, com volume com volume vendido globalmente de 346 milhões de litros de óleo. Anualizado, até setembro, 387 milhões de litros. O exterior já responde por metade, ou mais, da receita.

A Moove, diz Ferreira, é hoje uma multinacional brasileira de lubrificantes. “Vivemos os dois últimos anos de muita energia no projeto de expansão e de uma transformação também cultural.” A meta, acrescenta o executivo, é estar presente nas Américas e Europa. A CVC, juntamente com capital para a empresa, trouxe governança para a gestão, atuando via conselho de administração.

No fim de setembro, a empresa tinha dívida líquida de R$ 4 milhões, subtraindo da dívida bruta um caixa de R$ 743 milhões.

Os investimentos em marketing são grandes para manter a visibilidade da marca Mobil. Isso inclui patrocínio de Rubens Barrichello nas corridas da Stock Car e eventos do mercado comercial, como programas de TV voltados para os caminhoneiros.

Distribuição de combustíveis e lubrificantes estiveram no começo da diversificação da Cosan, com a aquisição da Esso. Depois, o grupo avançou em logística de açúcar e etanol, criou a Rumo e três anos depois a Raízen (combustíveis e energia) numa joint venture com a Shell. A seguir, a compra de Comgás (gás natural canalizado) a incorporação da ALL na Rumo (ferrovia e porto). Em 2018, a Raízen ficou com a Shell Argentina (atividades de refino e combustível).

Fonte: Valor Econômico

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