Histórias Curiosas: M&A – Querer Fazer Vale Mais Que Um Bom Contrato

Empresários experimentados dizem por aí que, em matéria de compra e venda de empresas, o segredo está em um contrato bem amarrado. Num país como o Brasil, onde as coisas não são levadas a sério e até o passado é incerto não deixo de concordar sobre a importância de um contrato bem redigido em operações de fusões e aquisições. Mas a essência para o sucesso de uma operação de M&A está no comportamento das partes compradora e vendedora, quando querem efetivamente fazer o negócio.

Com essa ideia, vale a leitura da entrevista publicada pela Revista Exame em março/18, com Victorio De Marchi, ex-presidente da Antarctica e conselheiro da Ambev, que conta em livro os bastidores da fusão com a Brahma em 1999. Empresas concorrentes e grandes rivais, à época, Brahma e Antarctica demoraram apenas 45 dias para costurar o acordo e o mais revelador, nas palavras de De Marchi: “todos os contratos são muito bacanas, mas em 20 anos nunca precisamos abrir os documentos. Deu certo pelas pessoas envolvidas que queriam que as coisas funcionassem”. Quando comprador e vendedor entram numa negociação pensando em só tirar vantagens, depreciar ativos ou impor processos e visões, a soma é igual a zero e a possibilidade de não sair negócio é muito grande.

No caso da Brahma e Antarctica, as empresas decidiram contratar um só banco para fazer a avaliação de cada companhia. Mesmo a Antarctica sendo menor, decidiu-se, no controle, ter a nova empresa uma administração conjunta, com quatro conselheiros de cada lado e uma copresidência no conselho. Um grupo de trabalho escolheu ainda as melhores pessoas e os melhores processos de cada uma das empresas. Histórias como essa nos fazem refletir como, no mundo das operações de M&A, pessoas preparadas, a vontade de fazer e o equilíbrio de interesses podem ser mais decisivos que processos e contratos burocráticos num jogo de vencedores e vencidos.

Fabricio Scalzilli
Sócio da Nello Investimentos

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