Laboratórios atraem investimentos

O mercado de medicina diagnóstica, que movimenta R$ 35 bilhões e ainda é bastante pulverizado, está aquecido. Nos últimos seis meses, as gestoras de fundos de private equity Vinci e L Catterton entraram nesse setor e importantes laboratórios como Fleury, Dasa, Sabin e Ghelfond vêm promovendo aquisições.

Esse interesse é motivado por uma combinação de fatores: expectativa de retomada do mercado de planos de saúde, com a melhora na taxa de emprego; envelhecimento da população, que acaba demandando mais exames; e desenvolvimento de testes genéticos e de alta complexidade.

Além das aquisições, os fundos e as redes de medicina diagnóstica capitalizados planejam investimentos em expansão orgânica para atender a demanda futura. Daqui cerca de dez anos, o número de pessoas com mais de 65 anos no Brasil será superior à população com idade entre zero e 14 anos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nesta primeira faixa etária, o gasto médio anual com exames é de R$ 115, enquanto para os pacientes acima de 59 anos esse valor salta para R$ 654.

“Além desses fatores, decidimos investir em medicina diagnóstica no Brasil porque enxergamos um aumento da classe média, maior urbanização e um serviço público de saúde precário”, disse Julio Babecki, sócio da L Catterton na América Latina, gestora americana que administra US$ 15 bilhões em ativos dos setores de consumo e serviços. A L Catterton iniciou o ano com a compra de 60,5% do laboratório Femme, em São Paulo. Com o novo acionista, a rede especializada em exames para mulheres vai investir R$ 300 milhões em cinco anos e já em 2019 planeja dobrar de tamanho, com abertura de seis unidades em São Paulo.

A rede de medicina diagnóstica Cura, que teve 70% do capital vendido à Vinci Partners em setembro, também está recebendo aportes de R$ 300 milhões para abertura de novos laboratórios e compra de concorrentes.

O Sabin, quinta maior empresa do setor, fechou seis aquisições de laboratórios nos últimos seis meses e planeja investir R$ 170 milhões em expansão neste ano. Essa quantia é 30% superior à aplicada em 2018 e será destinada para crescimento orgânico, aquisição e inovação.

O Fleury desembolsou R$ 170 milhões, em dezembro, na compra da rede carioca de laboratórios de análises clínicas Lafe. Com isso, o Fleury aumentou sua presença no Rio de 51 para 83 laboratórios.

A rede de medicina diagnóstica Ghelfond, que quase foi vendida em 2012, acaba de comprar 100% do laboratório Ecoimagem, de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. Com 11 unidades em São Paulo e um faturamento previsto de R$ 200 milhões neste ano, a Ghelfond conseguiu crescer mesmo num cenário de crise – nos últimos quatro anos cerca de 3 milhões de pessoas perderam o plano de saúde e outros milhares migraram para convênios médicos mais baratos.

Esse crescimento foi possível porque a Ghelfond atende clientes de planos de saúde populares e também pacientes do SUS. “As empresas foram obrigadas a redimensionar o seguro saúde, houve uma redução de categoria e fomos beneficiados. Ao mesmo tempo, aqueles que eram da base da pirâmide e perderam o benefício foram para o SUS, que também atendemos”, disse o fundador e médico radiologista, Charles Ghenfold.

Questionado se haveria interesse em vender a sua rede, diante de um setor aquecido, Ghenfold diz: “Não estamos à venda, mas nada impede de ouvir propostas.” E admite que constantemente interessados batem a sua porta.

A Ghelfond e concorrentes como a Alliar também enxergam possibilidade de crescer com a prestação de serviços a operadoras de planos de saúde que possuem rede própria de hospitais e clínicas, como NotreDame Intermédica e Hapvida. Essas operadoras vêm registrando um desempenho superior ao da média do setor porque conseguem controlar melhor seus custos.

“Há uma boa oportunidade na área de exames de imagem, que demanda muito investimento em equipamentos e profissionais especializados. Para a operadora verticalizada vale mais a pena ter parceria com um laboratório em vez de montar uma estrutura própria”, disse Saulo Sturaro, sócio da JK Capital, que assessorou a venda do laboratório Ecoimagem para a Ghelfond neste mês.

Segundo fontes do setor, uma transação relevante que está no radar do mercado é a possibilidade de venda da fatia que a gestora de private equity Pátria detém na Alliar. O grupo montou, no ano passado, um braço de negócios para atender operadoras verticalizadas, clínicas e hospitais.

Neste cenário, as empresas de medicina diagnóstica estão apostando fortemente em tecnologia e desenvolvimento de novos exames. A Dasa, líder do setor com 250 milhões de exames processados por ano, está investindo R$ 30 milhões em inteligência artificial, digitalização e exames de genética. Em 2018, firmou parceria com laboratórios internacionais, como o americano Quest.

Fonte: Valor Econômico 

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