Inovação no Andar de Cima

Nos dias atuais, inovação é a palavra de ordem nas empresas. Mais do que a inovação em si, a busca por uma fórmula, um processo, uma padronização continua para criar a cultura inovativa nas corporações é o que todos querem alcançar. Analisando cases de sucesso e fracasso, certo é que não há receita de bolo pronta, em que pese seja possível aprender com os erros e acertos dos outros.

Neste cenário trago luz a questão de quem deve liderar a inovação dentro das empresas. Muitos vão dizer, sem grande profundidade inicial, que o ambiente (bem, voltamos a tese de fórmula pronta) deve democratizar e possibilitar que qualquer funcionário possa trazer ideias inovativas e aplicá-las na empresa ou até mesmo fora dela.

O foco da discussão não está aí e sim em quem será o motor incentivador da inovação nas companhias, ainda mais no Brasil, pais de baixa execução inovativa? A premissa aqui defendida é que a inovação deve ainda ser aplicada de forma top-down nas corporações e, em cima disso, surge o seguinte dilema: a área de P&D, seus atributos, objetivos, orçamento e capital humano devem estar sujeitos às ordens e acompanhamento do CEO ou alguém do corpo diretivo ou devem estar vinculados ao Conselho de Administração da companhia? Me posiciono em favor do segundo grupo.

Inovação deve ser uma politica de estado e não de governo! Incutir inovação nas empresas é tão desafiador e exige tanto recurso e capital humano, que não pode ser alterado ao bel-prazer de um novo executivo. O Comitê de Inovação, quando criado, deve estar vinculado diretamente ao Conselho de Administração e este deve conduzir a macro estratégia, a visão futura e políticas claras que envolvem inovação, pesquisa e desenvolvimento.

Limitar a interferência do CEO nessa área, em muitos casos, é saudável, em contraponto a decisões operacionais, que buscam resultados de curto prazo. Centros de P&Ds podem operar por anos e décadas dando prejuízo. A empresa tem de ter coragem e convicção em mantê-los, adaptá-los e até mesmo aumentando as suas verbas, frente a fracassos no lançamento de produtos e serviços.

O Conselho de Administração deve tutelar essa área e respaldar as ações do corpo diretivo, mas sem perder as rédeas no caminho, frente a decisões mundanas e temporais. Somente assim a cultura da inovação na empresa será preservada e ampliada. Cabe ao CEO agregar valor a este processo, mas não criar uma luta de poder e vaidade, trazendo fórmulas mágicas que poderão interromper anos de trabalho e desmotivar pessoas e equipes inteiras, com o único objetivo, muitas vezes não evidente, de querer deixar a sua marca.

Fabricio Scalzilli

Sócio da Nello Investimentos

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