Indústria 4.0 traz eficiência e ganhos de produtividade

A produção moderna de aço exige mais do que ferro e fogo. Às fornalhas e linhas de laminação, unem-se sensores, sistemas de informação, robôs e camadas de inteligência artificial. “A digitalização veio para transformar a siderurgia, melhorando processos e promovendo a eficiência”, afirma Frederico Ayres Lima, presidente a Aperam South America. O executivo cita os ganhos obtidos com a instalação de um centro de comando integrado – projeto orçado em US$ 250 mil – na planta de processamento de aço na cidade de Timóteo (MG). “No primeiro semestre deste ano, evitamos custos de US$ 540 mil. Já está mais do que pago”, destaca.

O retorno financeiro foi forjado pelo controle de processos cruciais da usina. O centro recebe, em tempo real, informações de sensores que monitoram o consumo de água, vapores, combustíveis, energia e fluídos. A solução também tornou automática toda a operação de energia elétrica. São os computadores que gerenciam e comandam a subestação, os transformadores e as cargas elétricas. A meta, afirma Lima, é digitalizar todos os processos, ampliando a segurança e a eficiência sistêmica da planta industrial. “Ao deixar as máquinas fazerem o trabalho de inspeção, liberamos nosso time para pensar na melhoria dos processos”, destaca.

Conectada à rede global do grupo, a unidade mineira participa de uma espécie de campeonato digital, que estimula a geração de ideias e a discussão de iniciativas inovadoras por meio de uma plataforma de jogos: a Boost Up. Nela, os funcionários criam seus avatares (personificação digital) e escolhem temas como segurança e bem-estar, consumo de energia, rapidez e agilidade; e redução de custos. Durante as jogadas, expõem as soluções possíveis para os problemas. “A ferramenta ampliou a participação dos colaboradores. Eles entendem que todas as ideias são válidas e serão avaliadas pela empresa”, explica Lima.

O engajamento resultou na formação de equipes para o desafio anual de inovação – iniciativa que permite o intercâmbio de soluções desenvolvidas no Brasil com as unidades globais da empresa. Na última edição, o time brasileiro foi premiado, ao apresentar solução de apoio à inspeção e manutenção dentro da usina. A equipe desenhou uma pochete para celular que posiciona o aparelho na altura do peito. Com isso, é possível utilizar a câmera – com segurança – para filmar, fotografar ou enviar vídeos ao vivo para especialistas e gestores. O sistema permite ainda o acesso e consulta aos documentos arquivados em servidores de computação em nuvem, dando subsídios para a tomada de decisão. “Na planta, é preciso utilizar roupas e equipamentos especiais de segurança. A bolsa operar o celular equipado”, diz. Para Lima, a iniciativa prova que a inovação pode estar nas ideias mais simples. “Vamos patentear o projeto”, completa.

Flavio Alves, diretor executivo e líder de siderurgia e mineração da Accenture, confirma a busca por novos modelos de negócios. “A transformação digital leva a siderurgia a outro patamar. Eficiência, produtividade e sustentabilidade são o foco das empresas”, diz. Segundo o especialista, a primeira etapa será a digitalização das plantas fabris, a partir do uso de automação inteligente, robótica, operações autônomas e impressão 3D. “Tudo será monitorado automaticamente, gerando informações para análises e melhorias contínuas”, comenta.

A força de trabalho acompanhará o movimento e será treinada para operar as plantas remotamente. “É uma equipe com mobilidade, que terá acesso aos dados dentro do centro de controle ou fora dele, por meio de dispositivos móveis”, comenta Alves. A tomada de decisões se torna mais ágil com os dados coletados na operação. Nas sessões de treinamento, entram em cena os sistemas de realidade aumentada e virtual, que permitem simular todos os processos.

João Batista Ferreira Neto, diretor do centro de tecnologia em metalurgia e materiais do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) destaca os avanços na manufatura aditiva, ou impressão 3D. “A tecnologia exige uma nova forma de produzir o aço”, comenta. Neste cenário, as siderúrgicas terão de fabricar pó de aço, no lugar de lâminas, para permitir a impressão das peças. “A aplicação ainda está restrita a áreas como a médica e aeroespacial”, lembra. Entre os desafios está o de encontrar modelo de negócios no qual a manufatura aditiva seja compatível em preço com a metalurgia tradicional. “Ainda estamos longe disso. Mas não há dúvida que a impressão 3D vai transformar o segmento”, confirma.

Ana Paola Villalva Braga, pesquisadora do laboratório de processos metalúrgicos do IPT, lembra não é preciso esperar a evolução da manufatura aditiva para inovar na produção de aço. “Ainda há muito avanço para ser feito nas técnicas produtivas atuais”, reforça. Com as plantas monitoradas e gerando dados, as siderúrgicas estarão mais preparadas, na visão da pesquisadora, para entender o mercado e criar aplicações, ligas e ferramentas mais resistentes. Ela cita a parceria do IPT com a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) no estudo do uso do nióbio para ampliar a resistência do aço ao fogo. “O projeto beneficia a construção civil”, finaliza.

Fonte: Valor

Gostou? Compartilhe!Share on Facebook
Facebook
Tweet about this on Twitter
Twitter
Share on LinkedIn
Linkedin
NENHUM COMENTÁRIO

ESCREVA UM COMENTÁRIO