Grupo Ser compra UniNorte

Após seis meses de negociações, a Ser Educacional fechou a aquisição da UniNorte, instituição de ensino superior que pertencia à Laureate desde 2008, por R$ 194,8 milhões.

Segundo Jânyo Diniz, presidente da Ser Educacional, há oportunidade de crescimento no ensino a distância, uma vez que a UniNorte não oferece essa modalidade de aprendizado. “Enxergamos que o EAD será um vetor de crescimento e o processo de integração será mais simples porque já temos uma plataforma de ensino a distância”, afirmou. No começo de 2018, a companhia anunciou mudanças em sua estratégia, com fechamento de campi e redução do plano de crescimento orgânico, dando, maior foco para aquisições e cursos on-line.

A Ser Educacional estima uma sinergia de R$ 70 milhões no período de dez anos. “A redução de gastos virá, principalmente, de três frentes: integração da área administrativa e matriz curricular e renegociação com fornecedores”, disse Rodrigo Macedo, diretor de relações com investidores da Ser. Boa parte das áreas da instituição ainda não estavam integradas à Laureate.

Segundo José Loureiro, presidente da Laureate Brasil, não havia essa integração devido à distância geográfica da UniNorte, que fica em Manaus, em relação às demais instituições de ensino do grupo americano, que estão localizadas no Nordeste, Sul e Sudeste do país. “Não vamos vender outras instituições de ensino. Só vendemos a UniNorte por uma questão geográfica e acompanhamos uma decisão estratégica global da Laureate”, disse Loureiro.

O grupo americano vem se desfazendo de ativos na Malásia, Tailândia, Espanha e alguns países da América Central. A meta é ficar apenas com instituições de ensino no México, Peru, Chile, Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia, além do Brasil. Desses países, a Laureate Brasil foi a única que vendeu um ativo.

No ano passado, a UniNorte apurou uma receita líquida de R$ 165,5 milhões, alta de 13% quando comparada a 2017. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado subiu 5,8% para R$ 18,7 milhões e a margem Ebtida ficou em 11,3%. “Estimamos que a margem Ebitda pode dobrar. Normalmente, uma instituição com 10 mil a 15 mil alunos tem uma margem na casa dos 20%. Estamos sendo conservadores”, disse o diretor de relações com investidores da Ser Educacional, cuja margem Ebitda foi de 25,4% em 2018.

A UniNorte conta com 25 mil alunos, o que eleva o volume de estudantes da Ser para 175 mil (considerando os dados de dezembro de 2018).

Com essa transação, a Ser Educacional pretende focar seus esforços na integração da UniNorte e outras aquisições não devem ser prioridade. “Apesar de termos caixa, nosso foco deve ser a UniNorte” disse Macedo, observando que a companhia pode comprar outros ativos caso haja uma oportunidade interessante. O diretor de relações com investidores lembrou que há mais ativos no mercado por conta da redução do Fies, programa de financiamento estudantil do governo federal. “Abril é o mês da noiva porque as instituições de ensino terminaram seu processo seletivo e muitas delas estão se oferecendo no mercado”, disse.

Do valor total da transação, haverá um desconto de R$ 9,8 milhões referente à dívida da instituição de ensino adquirida. A Ser Educacional pagará a vista.

A aquisição da UniNorte foi estratégica para a Ser Educacional, que enfrentava dificuldades para operar em Manaus, tendo em vista que a instituição de ensino adquirida é líder de mercado na região. “A concorrência em Manaus é muito forte, todas as instituições de ensino estão lá. Não acredito que a concorrência vá piorar”, disse o presidente da Ser, informando que não pretende entrar em guerra de preço na região.

A transação depende ainda de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa do Consumidor (Cade).

Fonte: Valor Econômico

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