Grupo asiático propõe aquisição fatiada da Eldorado

A venda do controle da Eldorado Brasil Celulose para o grupo asiático APP-Sinar Mars, da Indonésia, mudou de rumo. O grupo controlado pela família Widjaja, adquire, neste momento, apenas uma participação de 30% a 35% do capital da fabricante de celulose controlada pela J&F Investimentos, mas com o compromisso futuro, já firmado, de assumir os 100% das ações da Eldorado.

A negociação em curso para a compra da fabricante de celulose dos irmãos Batista e dos fundos de pensão Petros e Funcef, por meio da Paper Excellence, empresa da mesma família que controla a Asia Pulp & Paper (APP), deve ocorrer em duas etapas, segundo o Valor apurou. Essa compra parcelada tem como objetivo atender a algumas incertezas que ainda existem em torno do grupo J&F, dono de 81%, direta e indiretamente da Eldorado. São pontos que ainda devem tomar algum tempo até serem solucionados.

A J&F, após a delação premiada dos irmãos Batista, relacionadas à JBS, teve de firmar um acordo de leniência com o Ministério Público Federal pelo qual terá de ressarcir R$ 10,3 bilhões. Esse acordo envolve uma série de cláusulas que precisam ser cumpridas. Além disso, a Eldorado esteve diretamente envolvida em investigações, como Operação Greenfienfield, da Polícia Federal, que verificava perdas dos fundos de pensão no investimentos que fizeram na empresa.

A proposta de compra do grupo asiático, com comprometimento de aquisição da totalidade da Eldorado, e uma obrigação de venda por parte da J&F, é para 100% da companhia, por R$ 15 bilhão, informaram fontes a par das tratativas entre os dois grupos.

A venda da participação aos indonésios, apurou o Valor, pode ser consumada por dois caminhos. No primeiro, com aquisição dos 34,45% do FIP Florestal na Eldorado. Esse veículo de investimento é formado por 50,5% da J&F e 49,5% dos fundos. Dessa forma, atendidos seus desejos de um valor justo por suas ações, Petros e Funcef deixariam a companhia.

Esse seria o caminho mais fácil para o processo de venda: os Batista receberiam menos dinheiro agora – cerca de R$ 1,3 bilhão -, mas seus sócios sairiam da empresa. Ficaria com mais de 60%, ao lado da PE (34,4%) e do Olimpia.

Em um segundo caminho, caso os fundos decidam continuar na empresa, a J&F venderia sua participação no FIP e mais uma parcela dos 63,6% que tem diretamente da Eldorado. Todavia, sem que fique com menos de 50% mais uma ação para manter o controle da companhia até o fechamento final da transação no futuro, depois que todas as condições envolvendo a Eldorado sejam sanadas. Nesse caso, a PE teria pouco mais de 30%.

Concluída a due diligence da Eldorado, iniciada no domingo, a Paper Excellence assumiria sua participação de até um terço, já com o pagamento correspondente à fatia. O restante da compra deve se dar depois do cumprimento de algumas etapas, como a conclusão do próprio acordo de leniência e a substituição de garantias dadas pela J&F em financiamentos relativos à Eldorado com o BNDES e a Caixa. Além disso, a PE depende da autorização de alguns órgãos concorrenciais em outros países.

Essa é uma estrutura pouco comum em aquisições, mas que conseguiu atender, ao menos parcialmente, os anseios das partes compradora e vendedora. Para os Batista, o mais importante era receber o quanto antes pela venda. Já para a PE o objetivo é fazer o desembolso apenas quando a Eldorado estivesse totalmente desembaraçada. Procurada, a J&F informou que não comentaria as informações.

Fonte: Valor Econômico

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