Gestores apostam em ativos ligados à economia real

Com o cenário de juro baixo e sinais de recuperação econômica, gestoras de patrimônio e butiques de investimento começam a recomendar ativos ligados à economia real. São aplicações com maior potencial de retorno, liquidez menor e risco mais elevado. Entre as alternativas estão investimento em florestas, loteamentos, real estate, private equity, além de opções menos comuns, como investimento em royalties musicais.

Os investidores estão mais dispostos a abrir mão de liquidez em troca de uma expectativa de retorno maior com ativos não ligados a mercados tradicionais, como renda fixa e ações, observa Dennis Kac, sócio e CIO Brasil da Brainvest, butique de investimentos criada em 2003 por ex-sócios da Hedging-Griffo, em Genebra, na Suíça. Com R$ 6 bilhões em ativos sob gestão, a casa ampliou nos últimos anos a indicação aos clientes de investimentos alternativos.

Segundo Kac, o fundo investe em ativos com lastro na economia real, com retornos que variam entre 12% e 15% ao ano em dólar. Entre as estruturas montadas estão um leasing de turbinas do modelo Boeing 777 para a Air France e uma carteira de royalties musicais com 100 mil títulos. “A maioria dos investidores que tem perfil para esses ativos já entende que é um diferencial ter investimentos alternativos, abrindo mão de parte de liquidez do portfólio”, diz o executivo.

A butique de investimentos também enxerga um horizonte positivo para a compra de participação em empresas. Apesar disso, Kac lembra que o processo de diligência deve ser bastante cuidadoso nesse tipo de operação. O caminho encontrado para oferecer a alternativa aos investidores foi buscar um fundo de fundos, ou seja, um veículo que aplica os recursos em fundos de private equity.

Há oito anos, a TAG Investimentos tem costurado parcerias com gestores de private equity. De lá pra cá, montou uma estrutura de fundos de fundos e escolheu um gestor especializado que fica a cargo da seleção dos fundos que receberão os investimentos. “Estamos num ciclo de recuperação. Provavelmente a safra deste ano vai render bons frutos em 2024”, aponta Thiago de Castro, CEO da TAG Investimentos, casa com R$ 6,5 bilhões em ativos sob gestão.

Investidores estão mais dispostos a trocar liquidez por expectativa de retorno maior com ativos não tradicionais 

O executivo cita uma situação cada vez mais comum: empresas brasileiras desfazendo-se de ativos para fortalecer a operação, o que traz boas oportunidades de ganho aos investidores com garantia real (imóveis, por exemplo). Em novembro do ano passado, a TAG concluiu uma operação para adquirir parte de um parque logístico no Nordeste. Na ocasião, para honrar os financiamentos assumidos, a empresa precisou se desfazer de alguns ativos. “Com a compra, tivemos uma taxa anual de retorno perto de 12%”, diz Castro.

Outra aposta da gestora é o setor de loteamentos, cuja demanda por financiamento é grande, mas há escassez de crédito para o segmento, segundo o executivo. “Existe muita oportunidade em mercados não óbvios que faz sentido analisar. O Brasil é mais que o Ibovespa”, afirma. Ele dá como exemplo, ainda, operações com arbitragem de precatórios federais, um mercado também observado de perto pela Brainvest.

Segundo Cassiano Morelli, diretor de operações da Claritas Investimentos, há maior interesse dos distribuidores no segmento private por produtos alternativos. Esse apetite se intensificou nos últimos seis meses, com “conversas interessantes” a respeito de investimentos em florestas, por exemplo. Nesse caso, são fundos fechados com distribuição mais restrita e prazo entre 15 e 20 anos.

Para o segundo semestre, a Claritas prevê um novo produto, que está em fase final de desenho, segundo Morelli. No fim de março, a gestora tinha cerca de R$ 6,5 bilhões em ativos sob gestão, dos quais R$ 1,3 bilhão em fundos alternativos – R$ 548 milhões estavam em fundos florestais e o restante dividido entre real estate e fundos de crédito.

Há pelo menos cinco anos, a G5 Partners – que gere pouco mais de R$ 10 bilhões de cerca de 120 grupos econômicos – observa as opções de investimentos alternativos, segundo Michael Van Dijk Gagliardi, sócio da área de gestão de patrimônio. Entre as opções, ele cita a emissão de uma debênture de uma loteadora que envolvia uma análise complexa de garantias. “Conseguimos um produto com baixo risco de crédito, liquidez reduzida, e rentabilidade de IPCA + 12% com prazo de cinco anos”, afirma.

Outra operação, realizada no início de 2018, foi um investimento em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) subordinados de companhias de primeira linha nas áreas de fertilizantes e sementes. A partir de uma parceria com uma empresa de investimentos em agronegócio, a G5 montou uma estrutura que está rendendo 400% do CDI, segundo Gagliardi. “É um investimento com risco controlado, mas sem garantia”, diz.

Desde o fim do ano passado, a Azimut Brasil Wealth Management tem sentido uma procura maior por investimentos pouco comuns. “Estamos no processo de finalização de análise de dois fundos de venture capital no Brasil”, conta o CEO Antonio Costa. A partir de uma demanda de um cliente, a gestora – que tem R$ 7,3 bilhões em ativos sob gestão – também começou a avaliar um fundo de private equity.

Fonte: Valor Econômico

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