GE vende por US$ 21 bilhões unidade de ciências da vida

A General Electric (GE) deu um passo importante em sua estratégia de redução do endividamento, firmando um acordo em dinheiro de US$ 21 bilhões para a venda da maior parte de sua operação de ciências da vida para a Danaher, um preço que superou as estimativas anteriores. 

Larry Culp, o ex-presidente-executivo da Danaher que assumiu o comando da GE em outubro, disse que mais ativos serão vendidos, mas que agora a companhia estará numa posição mais forte para negociar. 

“A dinâmica muda um pouco”, disse o executivo ao “Financial Times”. “Antes, parecia que estávamos um pouco desesperados. Mas hoje estamos numa posição muito melhor”, completou. 

Cup também disse que a planejada oferta pública inicial de ações (IPO) das operações de cuidados com a saúde da GE, que era esperada para o segundo semestre deste ano, poderá não acontecer, uma vez que o grupo está explorando outras opções para levantar recursos. 

“Não temos nenhuma urgência hoje, mas temos um pouco mais de flexibilidade”, afirmou o executivo. “E a dinâmica muda a favor dos acionistas da GE.” 

As ações da GE subiram depois que o negócio foi anunciado, avançando 13% para US$ 11,54 pouco depois da abertura do mercado em Nova York ontem. Os papéis fecharam em alta de 6,4%, a US$ 10,82. 

A GE está vendendo suas operações biofarmacêuticas, que fornece instrumentos para pesquisas médicas e o desenvolvimento de terapias avançadas. Essa unidade tem receita anual de cerca de US$ 3 bilhões, cerca de dois terços das vendas totais das operações de ciências da vida, que a GE avaliou entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões. 

O valor total do negócio é de US$ 21,4 bilhões, com US$ 21 bilhões em dinheiro. Esse preço, equivalente a sete vezes as receitas anuais, demonstra o grande interesse existente nos negócios de tecnologia médica. Analistas sugeriram que toda a operação de ciências da vida poderia valer entre US$ 20 bilhões e US$ 25 bilhões. 

No negócio anunciado ontem, a GE está mantendo sua outra unidade importante na área de ciências da vida, o de diagnósticos farmacêuticos, que ela vê como uma combinação melhor para seus equipamentos médicos, como os scanners. 

No ano passado, a GE anunciou plano para se concentrar em apenas dois setores, aviação e indústria energética, e agora a companhia vem trabalhando na cisão de sua divisão de cuidados com a saúde, que inclui a área de ciências da vida. 

Culp disse que a planejada abertura de capital das operações restante de cuidados com a saúde, que têm uma receita anual de cerca de US$ 17 bilhões, não acontecerá este ano, e poderá nem mesmo ocorrer. “O caminho em que estávamos, para uma IPO no segundo semestre, não será mantido”, afirmou ele. “Ela poderá acontecer? Certamente. É a única opção na mesa? Não.”

Culp disse, no mês passado, que a companhia almeja levantar mais de US$ 30 bilhões com a venda de participações na divisão de cuidados com a saúde; no grupo Baker Hughes, que prestar serviços a campos de exploração de petróleo; e na companhia de equipamentos de transporte Wabtec. Só o negócio na área de ciências da vida permitirá ao grupo americano cumprir com dois terços da meta estipulada. 

Ele estabeleceu uma meta de redução do endividamento líquido da GE, excluindo suas operações de serviços financeiros e seu déficit de fundo de pensão, para 2,5 vezes seus lucros industriais antes dos juros, impostos, depreciação e amortização. 

O valor de mercado da companhia caiu mais de 50% nos últimos dois anos, com investidores e analistas se concentrando em sua alavancagem e os passivos decorrentes da atividade seguradora de operações das quais o grupo saiu na metade da década de 2000. Analistas da Moody’s disseram, no fim da semana passada, que as vendas de ativos ajudarão a GE a enfrentar “a possível necessidade de aumentar mais as reservas estatutárias de seguro para políticas de cuidados de longa duração”. 

Culp disse que a GE está “progredindo” na resolução de seus problemas operacionais, entre os quais está o mergulho no prejuízo da divisão que fabrica turbinas de gás e outros equipamentos para a indústria energética. Ele disse que a companhia fornecerá mais detalhes sobre as suas perspectivas para 2019 em uma conferência marcada para 14 de março. 

A GE também divulgará nesta semana seu relatório anual. Além de encaminhar para a Securities and Exchange Commission (SEC) o relatório sobre seu desempenho financeiro, conhecido como 10-K. Ele mostrará, segundo Culp, melhorias na maneira como a companhia apresenta suas informações financeiras. “Ele [10-K] é melhor, mais simples e mais claro. Não é perfeito, mas esperamos que responda algumas das preocupações manifestadas pelos acionistas”, disse. 

A Danaher afirmou que vai financiar sua aquisição por meio de nova emissão de ações de US$ 3 bilhões, além de recursos próprios, nova emissão de dívida e linhas de crédito. As duas empresas esperam concluir a transação no quarto trimestre. 

Rene Lipsch, o principal analista da agência de classificação de crédito Moody’s designado para a GE, disse que os recursos obtidos com a venda serão mais do que suficientes para cobrir um pagamento de dívida de US$ 14 bilhões que vence nos próximos dois anos, e contribuir com US$ 4 bilhões em capital para a GE Capital, sua operação de serviços financeiros. 

Culp acrescentou que, ao mesmo tempo, a GE deverá manter acesso aos lucros e fluxos de caixa das operações restantes da área de cuidados com a saúde por um período mais longo, do que se tivesse prosseguido com a abertura de capital neste ano.

PJT, J.P. Morgan Chase, Citigroup e Goldman Sachs atuaram como consultores financeiros da GE, enquanto que o escritório de advocacia Paul Weiss forneceu consultoria jurídica. Barclays e Kirkland & Ellis trabalharam para a Danaher.

Fonte: Valor Econômico

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