Fusões e Aquisições – Vender o Todo ou Apenas uma Parte da Empresa?

Não há resposta fácil para esta pergunta que atormenta vários empresários, principalmente àqueles ligados a empresas familiares e de médio porte. São inúmeras variáveis que pesam na hora de se decidir pela venda de uma empresa. Questões ligadas ao negócio como alta necessidade de capital de giro, aumento da concorrência, crise do consumo ou o aumento dos custos da operação; questões ligadas ao mercado como violência, desemprego, caos político e incertezas futuras e, questões de cunho totalmente pessoal, como a falta de sucessão, a vontade de ter outras experiências e o próprio cansaço natural de estar anos “correndo atrás da máquina”.

É inegável que a busca por um sócio minoritário, seja ele estratégico ao negócio ou financeiro, se bem executada esta operação, pode dar uma renovada no posicionamento do negócio e no próprio ânimo do dono. Dinheiro e ideias novas para executar projetos, tirar o custo financeiro e focar em inovação. Muitos empresários neste momento só pensam nisso. Com dinheiro de um sócio podem preparar realmente a empresa para o futuro. Mas há casos em que o objetivo é vender tudo. Não há certo ou errado. Pesa muito a visão e o momento de vida do dono e seus anseios pessoais. Mas se vender uma parte agora, com o crescimento no futuro, pode-se ganhar bem mais dinheiro! Mas o inverso também ocorre e o prejuízo e estagnação podem levar a mais anos de trabalho, sem retorno financeiro algum.

Importante que na construção de uma tese de investimento de venda total da companhia, o foco está na empresa, nos seus produtos e serviços, suas barreiras de entrada, seus indicadores financeiros e os diferenciais competitivos, até porque o vendedor espera “entregar a chave”, realizar uma curta transição e seguir seu rumo para aposentadoria ou novos desafios. Caberá ao comprador avaliar riscos e sinergias com a compra realizada. Se a venda é parcial, tão importante quanto as questões acima é trabalhar a figura do dono, a sua história, as suas realizações e os planos futuros para o negócio. Ou seja, o propósito da empresa, a sua visão e a possibilidade de uma saída (venda) conjunta lá na frente. Venda parcial ou total de uma empresa, são, portanto, objetivos diferentes em momentos e contextos diferentes. Seguir um processo e discurso único pode passar uma impressão errada ao mercado, gerando desconfiança para o investidor, quanto aos reais objetivos do vendedor.

Fabricio Scalzilli

Sócio da Nello Investimentos

Gostou? Compartilhe!Share on Facebook
Facebook
Tweet about this on Twitter
Twitter
Share on LinkedIn
Linkedin
NENHUM COMENTÁRIO

ESCREVA UM COMENTÁRIO