Fusões e aquisições somam US$ 1,5 tri no mundo no semestre

Volume de transações anunciadas foi em boa parte sustentado por 21 megaoperações concentradas na América do Norte.

O número de fusões e aquisições (M&A) no mundo caiu 16% no primeiro semestre deste ano e o volume financeiro encolheu 18,5%, em comparação ao mesmo período do ano passado. Foram 15,4 mil operações, 3 mil a menos que no início de 2018, conforme estudo da consultoria BCG. O volume financeiro somou US$ 1,5 trilhão, queda de US$ 342 bilhões.

O volume de transações anunciadas foi em boa parte sustentado por 21 megaoperações concentradas na América do Norte no segundo trimestre — como o avanço da americana United Technologies sobre a fabricante de armamentos Raytheon, num negócio de US$ 87 bilhões, e a compra da Celgene pela farmacêutica americana Bristol-Meyrs Squibb por US$ 79 bilhões.

Conforme o levantamento da consultoria, nas transações feitas globalmente entre empresas de capital aberto, há uma continuação da redução de múltiplos já verificada no ano passado. No primeiro semestre de 2019, o múltiplo médio foi de 13 vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda). No ano passado, a média havia sido de 13,7 vezes e, em 2017, de 15 vezes.

A relação sobre o preço da ação em bolsa, no entanto, aumentou. No primeiro semestre, fusões e aquisições anunciadas entre empresas abertas tiveram prêmio de 31,2% — acima da média histórica de 30,6%. Uma das justificativas é que o prêmio levemente maior é mais atrativo para a vendedora, mas ainda compensa para o comprador, pela relação mais barata sobre o lucro gerado pelo negócio.

Há ainda mudança de direcionamento das aquisições. O objetivo das transações tem sido cada vez menos ter controle do alvo, e sim ter acesso a novas tecnologias, capacidades, entender segmentos e formar parcerias — o que explica também por que operações de venture capital têm sido muito mais pujantes que a média de mercado.

Esse tipo de aquisição costuma ser feito em atividades periféricas ou complementares ao negócio principal da compradora. Segundo o estudo, esse perfil de aquisição tende a trazer maior retorno em períodos de economia fraca — o retorno relativo do acionista é 3,9 pontos percentuais superior às aquisições de negócios no mesmo mercado, também com economia desaquecida. Isso não acontece, no entanto, nos períodos de economia mais forte, quando há queda de 1%. Essa avaliação da BCG foi feita considerando 51,6 mil transações globais com volume mínimo de US$ 250 milhões cada, desde a década de 1980.

A desaceleração da economia global tende a tornar as companhias — e seus acionistas — mais reticentes em relação a grandes aquisições. Nas transações de companhias abertas, por exemplo, a BCG destaca que o desempenho da compradora no dia do anúncio de aquisição foi queda de 0,4%, em média — o que, para a consultoria, indica investidores ficando mais céticos sobre a capacidade de gerar valor no novo negócio.

No entanto, com ambiente de juros baixos e empresas e fundos com muito dinheiro em caixa, a BCG considera que a atividade de M&A deve continuar intensa, em contraposição à desaceleração econômica. Somente as empresas do índice S&P 1200, excluindo instituições financeiras, encerraram 2018 com U$ 2,4 trilhões em caixa, enquanto o volume de recursos já levantados por fundos de private equity e ainda por investir subiu para cerca de US$ 1,3 trilhão.

Fonte: Valor Econômico

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