Fusões e aquisições sobem 31% no Brasil

Foram 614 transações entre janeiro e setembro, maior volume no período dos últimos cinco anos.

O mercado de fusões e aquisições no Brasil bateu recorde no acumulado de janeiro a setembro de 2019, com 614 transações, 31% superior ao mesmo período de 2018 e o maior volume acumulado dos últimos cinco anos, de acordo com levantamento da PwC Brasil, obtido com exclusividade pelo Valor.

Somente no mês de setembro foram 84 transações, patamar semelhante ao visto em setembro de 2014, de 87, e 42% maior do que no mesmo mês do ano passado.

Segundo Leonardo Dell’Oso, líder da área e sócio da PwC Brasil, o investidor de médio e longo prazo começa a perceber uma evolução da economia brasileira mais expressiva, com indicadores macroeconômicos melhores e reformas acontecendo, como a da previdência.

Além disso, segundo Dell’Oso, há a agenda de privatizações em andamento e o desaquecimento de economias maduras, como Japão e Alemanha, influenciaram os investidores estrangeiros. “Todo o cenário está puxando os fundamentos econômicos do Brasil para cima e os investidores estão vendo isso”, disse o executivo, que acrescentou: “O mercado externo ruim e perspectiva boa [no Brasil] mostram que o investimento é aqui.”

Para o especialista da PwC, a expectativa é que o ano de 2019 atinja o volume de 900 transações entre fusões e aquisições e que, em 2020, o volume chegue a mil negócios no país.

As transações envolvendo somente aquisições e compras minoritárias por investidores estrangeiros voltaram a crescer no acumulado de janeiro a setembro de 2019 e atingiram o maior nível em quatro anos, com 189 operações. Isso significa um avanço de 20,4% ante 2018, quando foram fechados 157 negócios. Em 2015, foram no total 256 operações, em 2016 ocorreram 183 e, em 2017, 184.

Já as operações envolvendo investidores nacionais somaram 393 até setembro de 2019, um avanço anual de 36%. Os dados excluem joint-ventures, fusões e cisões. “A gente acredita que será um ano de muita entrada de investimento estrangeiro”, afirmou o executivo da PwC.

Entre os países que mais investiram no Brasil, os Estados Unidos são o líder com 34% do total de transações. Na sequência aparecem o Japão, com 7%, e a Alemanha, com 6% do total.

Até setembro, o levantamento da PwC mostra que as privatizações e concessões representaram 30 transações, um aumento de 15% em relação ao mesmo período de 2018. Somente no segmento de serviços públicos, o crescimento foi de 90%.

“As privatizações vão acelerar muito no início de 2020, com grandes estatais sendo concedidas para a iniciativa privada”, afirmou Dell’Oso.

Entre os exemplos de operações ocorridas em setembro, há a compra, pela Central Resources, produtora de óleo e gás, de dois campos terrestres de exploração de petróleo da Petrobras. O negócio foi de US$ 7,2 milhões.

Houve também a licitação do contrato de 35 anos de concessão do Complexo Pacaembu, em São Paulo, na capital paulista, que foi vencida pelo Consórcio Patrimônio SP, formado pela brasileira Progen e pelo fundo de investimento em participações (FIP) Savona. O valor da outorga foi de R$ 115,4 milhões.
Fonte: Valor Econômico

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