Fusões e aquisições no setor elétrico devem continuar intensas em 2019

O movimento de fusões e aquisições no setor elétrico, que se destacou no ano passado, deve continuar intenso em 2019, de acordo com avaliação da KPMG. Os motivos, de acordo com a empresa de consultoria e auditoria, são os investimentos de petroleiras e grandes consumidores de energia em busca de uma matriz mais limpa, efeitos de mudanças regulatórias no setor, privatizações e desinvestimentos de estatais elétricas.

“Será uma pauta [fusões e aquisições no setor elétrico] que continuará aquecida para os próximos anos”, afirmou Paulo Guilherme Coimbra, sócio da consultoria, ao Valor. “É um processo que anda de forma bastante intensa. É um setor que está crescendo e vai continuar crescendo sobremaneira”, completou.

No ano passado, o setor de energia brasileiro registrou o terceira maior número de fusões e aquisições dos últimos 20 anos. Em 2018, foram realizadas 55 transações (31% a mais que no ano anterior), ficando atrás apenas das marcas alcançadas em 2014 (56) e em 2006 (61). 

A principal operação registrada no ano passado foi aquisição do controle da Eletropaulo, maior distribuidora do país, pela italiana Enel, em uma acirrada disputa com a Neonergia, controlada pelo grupo espanhol Iberdrola. O negócio, incluindo um aumento de capital, totalizou R$ 8,6 bilhões. 

Segundo Coimbra, com relação à transição energética, as fusões e aquisições no setor elétrico refletem o movimento intenso de petroleiras e grandes consumidores de energia, como mineradoras, de investimentos em projetos de geração de energia renovável. 

“Há uma discussão global de transição de uma matriz energética baseada em carbono para uma matriz mais renovável. Só este aspecto já traz uma atratividade [para o setor elétrico]”, disse Coimbra. “Vai ser um setor cada vez mais ‘cross sector’ [transversal], que são empresas de outras áreas investindo em energia”, completou ele. 

Com relação à regulação, o sócio da KPMG explicou que mudanças regulatórias, oriundas do processo disruptivo pelo qual atravessa o setor de energia elétrica, estão levando a novas oportunidades de negócios, como projetos de geração distribuída. 

Além dos movimentos já observados, Coimbra destacou ainda privatizações e desinvestimentos de estatais elétricas. O especialista ressaltou ainda a diversidade de tipos de investidores, desde empresas tradicionais do setor elétrico até fundos de private equity. Esse aspecto é positivo, porém aumenta a complexidade do setor, já que empresas de diferentes áreas estão atuando no mercado elétrico. 

Com relação à origem do capital, Coimbra observou uma redução do ritmo de aquisições por parte de companhias chinesas. Ele, porém, explicou que o fenômeno não é específico do Brasil. “Os chineses estavam muito ativos. Eles claramente tiraram o pé do acelerador em 2018. O investimento chinês ao redor do mundo deu uma reduzida em 2018. Caiu cerca de 20% o investimento direto”.

Fonte: Valor Econômico

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