Fusões e Aquisições no Brasil ficam 17% acima da média dos últimos 5 anos

Fusões e aquisições no Brasil ficam 17% acima da média dos últimos 5 anos

A pandemia de covid-19 acabou não afetando a quantidade de fusões e aquisições no primeiro semestre, com a quantidade de operações anunciadas ficando 17% acima da média dos últimos cinco anos, segundo levantamento realizado pela consultoria e auditoria PwC Brasil, obtido pelo Valor.

Entre janeiro a junho foram anunciadas 395 transações, alta de 1% em relação ao mesmo período de 2019. Apenas em junho foram 68 transações, volume idêntico ao mesmo mês de 2019, mas acima da quantidade de negócios anunciados nos últimos três meses, demonstrando uma tendência de recuperação do mercado, segundo o sócio da área de fusões e aquisições da PwC Brasil, Leonardo Dell’Oso.

“O efeito da crise foi menos traumático que o esperado”, disse. “As pessoas tinham temor muito grande do que poderia acontecer, que o mercado poderia ficar um período muito longo sem reagir. Mas como a gente pode ver agora, parece que a tendência é de uma recuperação em ‘v’ no mercado de fusões e aquisições.”

No começo do ano, Dell’Oso projetava que o número de fusões e aquisições poderia ultrapassar a marca histórica de 1 mil negócios. Com a crise, ele passou a esperar algo em torno de 800 negócios. A recuperação sendo vista no mercado fez o sócio da área de fusões e aquisições da PwC Brasil acreditar na possibilidade de se atingir 1 mil negócios, mas a tendência é que fique ao redor de 900. “Não me surpreenderia se passarmos de 1 mil transações este ano, porque o mercado vai precisar se movimentar bastante para poder atender as necessidades de negócios”, afirmou.

O bom resultado nos primeiros seis meses do ano foi puxado pela quantidade de acordos anunciados em janeiro e fevereiro, mantendo o ritmo visto no final do ano passado. Em março, porém, a tendência reverteu, com queda de 31,6% em relação a fevereiro, atingindo o ponto mais baixo em abril, quando foram apurados 46 negócios. Dell’Oso afirmou que os meses de março e abril geralmente não apresentam números elevados de fusões e aquisições, porque muitos negócios acabam sendo fechados entre dezembro e fevereiro. “[O número de março e o de abril] foi obviamente afetado pela crise, mas [a queda] era algo esperado, porque é o normal de acontecer”, disse.

A crise provocada pela covid-19 teve um papel central no número de fusões e aquisições no primeiro semestre, especialmente na segunda metade do período. Com a restrição de crédito no mercado e falta de geração de receita, muitas empresas tiveram que fazer movimentos estratégicos para tentar sobreviver ao momento, seja vendendo ativos, participação no capital social ou até mesmo toda a operação. Em junho, as aquisições de controle majoritário representaram 53% do transacionado.

As empresas também estão buscando sobrevivência no médio e longo prazo. Elas olham para a economia debilitada e avaliam que a receita deve continuar baixa. Muitas companhias estão tendo de passar por processos de redução de custos e reestruturação dos negócios para continuar operando.

Uma solução que está sendo adotada é a união de concorrentes, para obter ganhos de mercado e sinergia. Segundo Dell’Oso, a PwC Brasil está trabalhando em uma série de propostas de fusões. Ele não revelou os nomes envolvidos, mas disse que muitos negócios devem ser anunciados no segundo semestre. “Temos visto muitas oportunidades, muitos projetos de fusão de empresas”, afirmou. “As empresas estão começando a olhar para o lado e avaliar ‘quem é meu concorrente, quem também está passando por necessidade? Se a gente se juntar, a gente pode ganhar mercado’.”

Para o segundo semestre, a expectativa é de que as fusões e aquisições estejam concentradas em segmentos com perspectiva de recuperação mais rápida, caso de serviços financeiros, saúde, educação. Setores mais prejudicados pela pandemia e cujo retorno deve ser mais lento, como turismo e lazer, devem ver um número menor de transações.

As dificuldades enfrentadas pelas empresas acabou abrindo caminho para o aumento de participação dos fundos de investimento em participações (“private equity”), diante das boas oportunidades que surgiram no mercado. O levantamento da PwC Brasil mostra que, no primeiro semestre, estes investidores estiveram presentes em 117 transações, aumento de 33%. Em junho, eles foram responsáveis por 25 das transações no período, alta de 108%.

O levantamento apurou ainda que os investidores brasileiros responderam por 74% das aquisições e compras minoritárias no primeiro semestre, um recorde. Com 99 transações realizadas até junho, o número de operações envolvendo estrangeiros caiu 11% em relação ao mesmo período de 2019.

Segundo Dell’Oso, a crise forçou muitas companhias e fundos estrangeiros a concentrar os esforços nas operações nos países em que estão sediados, ou onde possuem presença relevante. Ele acredita que os processos de privatização e concessões conduzidos pelos governos federal, estadual e municipal devem atrair os estrangeiros, principalmente no segmento de saneamento, graças ao novo marco regulatório.

“Pelo número de propostas, de contatos que a gente recebe, o investidor estrangeiro continua muito interessado em Brasil”, afirmou.

Fonte: Valor Econômico 

22/07/2020

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