Fusões e aquisições devem crescer em 2020

As empresas globais estão enfrentando incertezas econômicas e desafios geopolíticos para concluir acordos de fusões e aquisições. No entanto, esse é um mercado que deve estar no centro das discussões do mercado mundial em 2020. É o que revelam pesquisas conduzidas pela empresa de consultoria e auditoria Baker Tilly International e pelo provedor de inteligência de fusões e aquisições, Mergermarket, divulgadas no relatório “Dealmakers globais: Perspectivas de fusões e aquisições internacionais 2019”, realizadas com 150 “negociadores, ou dealmakers”, em todo o mundo.

O relatório foi anunciado no fim de outubro, na Conferência Mundial da Baker Tilly International, realizada em Singapura, e explora as tendências que moldam o mercado global de fusões e aquisições. Também apresenta as áreas de oportunidades – principais mercados em crescimento e setores aquecidos – onde os negociadores provavelmente encontrarão valor no próximo ano. De acordo com as pesquisas, 54% dos entrevistados preveem um aumento nos negócios de fusões e aquisições já em 2020. 71% deles dizem que expandirão seus investimentos além-fronteiras à medida que explorarem os mercados estrangeiros, apesar das turbulências do cenário global.

O Brasil aparece no Top 10 das oportunidades com 19% das intenções de negócios. Embora seja o 10º país do ranking, ainda fica à frente de outros mercados interessantes que não foram bem classificados pelos “dealmakers”. O sócio líder da Baker Tilly no Brasil, Alexandre Labetta, vê com otimismo a presença no Brasil na lista. “Comprova o aumento de credibilidade do Brasil e o potencial para o sucesso de grandes negócios. O mercado de fusões e aquisições de empresas brasileiras vem se desenvolvendo constantemente com recente aumento de negócios. As operações geralmente concentradas entre as grandes companhias vêm se disseminando também entre as organizações menores e deve prosseguir”, comenta Labetta.

Segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), os negócios de fusões e aquisições avançaram 28% no ano passado. Os anúncios envolvendo aquisições de controle, incorporações e vendas de participações minoritárias, totalizaram R$ 177,2 bilhões, uma elevação de 28% em relação a 2017. Houve, porém, redução no número de negócios, já que este volume correspondeu a 140 anúncios contra 143 ocorridos em 2017. Apenas três segmentos representaram 49,5% do total. O setor de papel e celulose respondeu por 26,9% dos recursos, seguido de Energia Elétrica (11,6%) e TI e Telecomunicações (11,0%). Mesmo estes setores se caracterizaram pela concentração em poucas operações. Papel e celulose, o segmento de maior volume, foi resultado de duas operações. Os três setores líderes em volume representaram 22,1% do total de número de operações no ano.

Na visão do sócio da área de mercados estratégicos da Baker Tilly no Brasil, Otaniel Martins, apesar do aumento das transações de fusões e aquisições no Brasil, o volume de negócios é ainda inferior ao de outras localidades por questões que passam pela cultura empresarial e chegam até a economia e política brasileira. “Em parte, a cultura empresarial, aliada com a baixa governança de forma geral e o volume tímido de negócios com potenciais de sinergia com o mercado global impactam diretamente nesses números. Por outro lado, o ambiente político e a legislação brasileira não passam a segurança esperada e o mercado sofre com a ausência de regras claras e consolidadas”, declara ele.

O Sudeste Asiático e a América do Norte estão entre os principais destinos de investimento. Segundo o líder global de Finanças Corporativas da Baker Tilly International, Michael Sonego, os dois mercados são atraentes para os compradores, mas os motivadores da atividade são diferentes. “A América do Norte é uma grande economia com uma população cativa e comprovada que demanda bens e serviços de qualidade”, diz Sonego. “Para o Sudeste Asiático, a oportunidade está no surgimento de consumidores e riquezas da classe média – novos mercados se abrindo com pessoas que talvez não pudessem acessar seus produtos anteriormente, mas que têm demanda crescente e sustentada”, continua ele.

Só fogem a esses países, a Austrália, Alemanha e Brasil. Segundo o relatório, os dados que comprovam esse aumento nos negócios do setor é a necessidade de responder à guerra comercial EUA-China, de acordo com 77% dos entrevistados.

 

Números já superam os de 2018 – Até o fim de novembro, o Transactional Track Record (TTR) mapeou 1.217 transações envolvendo empresas brasileiras, o que representa um aumento de 10,24%. O valor total transacionado foi de R$ 275,8 bilhões, uma alta de 57,8% que foi impulsionada pelo arremate do Campo petrolífero de Búzios pelo consórcio liderado pela Petrobras no valor de R$ 68 bilhões.

As transações com motivação estratégica (Strategic M&A) representam cerca de 60% do total de transações, enquanto os 40% restantes estão distribuídos entre os investimentos realizados por fundos de Private Equity, Venture Capital e aquisição de ativos.

Até o fim de novembro deste ano, o setor tecnologia se afirma como o grande líder em número de transações com 302 negócios registrados, o que representa um crescimento de 31% em relação ao mesmo período do ano passado. O setor financeiro aparece como o segundo mais ativo com 181 transações, alta de 21%.

O TTR mapeou um total de 281 transações onde empresas brasileiras foram adquiridas por estrangeiras (cross-border inbound) e um valor total de R$ 161,3 bilhões.

Após três anos consecutivos com registros de redução dos investimentos de empresas norte americanas no mercado brasileiro, em 2019 observou-se um aumento de 6% neste tipo de transação, com 112 negócios registrados. As empresas dos EUA investiram mais de R$ 15 bilhões em aquisições no Brasil, com a maior parte deste investimento direcionado para as empresas locais que atuam no segmento de tecnologia e internet.

Fonte: Monitor Mercantil

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