Fusões e aquisições: decisões complexas em momentos difíceis

Existem ainda inúmeras empresas de setores tradicionais, cuja situação econômico-financeira é saudável, atuando há anos no mercado com um nicho de clientes fiéis, vendendo os mesmos produtos e serviços. Não há na empresa, no entanto, uma cultura inovativa ou uma conexão real com as mudanças de comportamento das pessoas, leiam-se consumidores, e uma leitura real sobre os desafios do amanhã.

A maioria destas companhias faz revisão anual do planejamento estratégico, realizando apenas mudanças incrementais e ajustes operacionais pontuais. Entende que isto seja suficiente ou, pior, propaga ou acredita que existe ali inovação e visão futura. Entender o processo de fusões e aquisições pode ser fundamental para qualquer empresário que esteja focado em oportunidades de mercado, no movimento dos concorrentes e na transformação drástica dos anseios dos consumidores.

Encarar um processo de fusão, venda ou aquisição é arriscado, muitas vezes caro e demanda muita energia e mobilização dos melhores colaboradores e parceiros. Mas, por outro lado, pode ser um processo de criação e captura de valor, ganho de escala, produtividade, sinergias e capital humano, ingredientes estes que a empresa demoraria anos ou décadas para atingir sozinha.

Na outra ponta deste processo está a decisão de venda. Fazer uma análise crítica do atual momento da empresa e do próprio empresário não é fácil. Entender as suas fraquezas, seus medos, o avanço dos concorrentes, a obsolescência dos produtos e serviços, a precariedade do capital humano e a falta da cultura inovativa, é fundamental.

Quando concluir, com coragem, que a empresa entrou em um espiral negativo irreversível? Decisões difíceis em momentos complexos. Situações como esta petrificam o empresário, que ao invés de tomar uma decisão de venda, para preservar parte do capital, mitigar riscos maiores e até perpetuar a sua história, prefere afundar com a companhia, optando, neste caso, em manter unicamente o orgulho e as lembranças dos tempos de abundância.

Fabrício Scalzilli

Sócio da Nello Investimentos

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