Fundos minoritários cobram mais explicações da Smiles

Acionistas minoritários da Smiles, que detêm mais de 5% das ações, encaminharam uma notificação formal para a diretoria de relações com investidores da empresa de fidelidade, solicitando explicações e documentos sobre a operação de reestruturação da controladora Gol, anunciada em meados de outubro. O processo deve resultar na incorporação da Smiles, e os minoritários exigem esclarecimentos com o objetivo ir à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que já tem um procedimento aberto para apurar o caso.

O Valor teve acesso à notificação enviada ao RI da Smiles, em que os fundos Atmos, Linus, Indie Capital, Normandia, Oceana, Opportunity, Studio e Vista questionam a estrutura da eventual troca de ações da Smiles pela Gol. Não há preços definidos no momento e o objetivo da Smiles é fazer todo o processo via um comitê independente para garantir a transparência. No entanto, os minoritários demonstram preocupação, depois dos desencontros em relação às expectativas dos investidores e as declarações do controlador e da própria empresa de fidelidade.

Na notificação, os minoritários afirmam que “uma série de atos impactou sobremaneira o preço das ações da Smiles” e alegam que, até hoje, “não foram disponibilizadas informações para os acionistas” exercerem de forma adequada a fiscalização da operação. Ressaltam, ainda, que três conselheiros independentes fizeram ressalvas sobre a operação, conforme ata de reunião extraordinária do conselho de administração realizada em outubro.

Os fundos pedem que a Smiles entregue, em cinco dias, o plano de negócios 2017-2022 do conselho, o contrato operacional firmado entre Smiles e Gol vigente até 2032, o plano de retenção de executivos da companhia, a apresentação do comitê independente sobre a operação e outros registros.

Os minoritários também questionam quando a intenção de realizar a incorporação da Smiles pela Gol foi informada à família Constantino, controladora do grupo, e quando assessores jurídicos e financeiros passaram a atuar na estruturação da operação – o escritório Barbosa, Müssnich Aragão Advogados e o banco Merrill Lynch, segundo a notificação.

“Vimos indícios de abuso de poder por parte do controlador pela forma como tudo foi comunicado. Ninguém decide de uma hora para a outra fechar o capital de uma companhia, então queremos saber detalhes de todo o processo”, diz Fabiano Robalinho Cavalcanti, advogado do escritório Sergio Bermudes, que assessora os fundos.

Ele informa que o descontentamento com as decisões da controladora em relação à Smiles vem desde março, quando a empresa de fidelidade decidiu cortar distribuição de dividendo de 100% do lucro líquido para 25%. Os registros a respeito dessa alteração também foram solicitados pelos minoritários. Desde a mudança da política, a Smiles passou a perder valor na bolsa – e a companhia, que chegou a valer cerca de R$ 10 bilhões no começo do ano, mais do que a controladora, hoje vale R$ 4,6 bilhões. A Gol tem valor de mercado de R$ 7 bilhões. Para os minoritários, a desvalorização das ações da Smiles é “atrativa” em uma eventual troca de papéis com a Gol. No ano, a ação da Smiles cai 49%; a da Gol sobe 38%.

A Gol já afirmou que a incorporação da Smiles faz sentido, não só por garantir sinergias, mas diante do momento atual do setor – outros concorrentes, como a Latam, Aeromexico e Air Canada, já tomaram decisões na mesma direção.

Procuradas ontem pelo Valor, Gol e Smiles informaram que não receberam a notificação dos minoritários. Em nota, a Gol reforçou que “a operação está sendo conduzida dentro da melhor prática de governança corporativa e está comprometida com a plena independência do comitê a ser formado na Smiles para a negociação da potencial fusão”. E destacou que o comitê deverá ser formado por pessoas reconhecidas pelo mercado e sem qualquer relacionamento com a Gol ou seu controlador.

Fonte: Valor Econômico

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