Fundo Appian estuda mais 12 ativos no país

Fundo Appian estuda mais 12 ativos no país

O fundo de investimento londrino especializado em mineração, Appian Capital Advisory, avalia novos ativos minerários no Brasil. O fundo já é dono de duas minas instaladas no Nordeste, a Atlantic Nickel, na Bahia, e a Mineração Vale Verde (MVV), em Alagoas. Segundo o CEO do fundo no Brasil, Paulo Castellari, há de dez a 12 empreendimentos no país que o Appian está avaliando.

“São projetos de metais básicos e preciosos como ouro, prata, níquel, cobre, zinco, fosfato e potássio. Temos de US$ 600 milhões a US$ 700 milhões para investimento”, disse o executivo ao Valor.

Castellari ressaltou que nos últimos dois anos o Appian avaliou mais de 200 ativos no mundo. Atualmente, o fundo é dono ou tem participação acionária em seis projetos localizados na África, Canadá, além da América Latina. Esses projetos, de acordo com o executivo, foram frutos de uma capitação inicial de US$ 375 milhões. Ao todo, o fundo possui US$ 1,02 bilhão em ativos sob a sua gestão.

O executivo, que fez longa carreira em posições na multinacional Anglo American (1994 a 2016), se juntou ao Appian em meados do ano passado, convidado para presidir a subsidiária brasileira. Antes disso, ele esteve no fundo soberano Mubadala, dos Emirados Árabes Unidos, participando da construção de um projeto de minério de bauxita na Guiné. Localizado em Belo Horizonte, o escritório da Appian no Brasil tem 50 pessoas, mais de 30% dedicadas a suporte ao projetos no Brasil.

Dos projetos que o Appian tem em operação, as minas no Brasil se destinam a um mercado que só tende a crescer nos próximos anos, o de baterias para carros elétricos. A Atlantic Nickel, inclusive, fará o seu primeiro embarque de concentrado de níquel entre os dias 15 a 25 de janeiro. A venda, conforme informou em comunicado, será realizada pela trading Trafigura.

O concentrado é obtido na mina Santa Rita, situada no município de Itagibá, sul da Bahia. O embarque, de 10 mil toneladas, está programado conforme disponibilidade no porto de Ilhéus (BA). “Começamos a operar essa mina entre agosto e setembro do ano passado e a estratégia é realizar um embarque por mês. Vamos destinar parte para Europa, parte para China e para tradings. Estamos conversando com os consumidores finais, como montadoras, para fornecer diretamente a eles o concentrado extraído dessa mina”, informou.

Castellari diz que a mina, antes denominada Mirabela pelos antigos investidores, tem capacidade de produzir 17 mil de toneladas de níquel equivalente por ano. Essa unidade, que é a céu aberto, já recebeu investimentos de US$ 60 milhões para melhorar a produtividade do ativo. “Esse ativo tem uma vida útil de 20 anos. Mas, já estamos realizando os estudos para começar a operar uma mina subterrânea também nessa área.”

A segunda empresa gerida pelo Appian no Brasil, a Vale Verde está localizada na cidade de Craíbas (AL) e deve começar a operar em meados de 2021, segundo Castellari. O concentrado de cobre extraído dessa mina, denominado de Projeto Serrote, será destinado também ao mercado de baterias para veículos elétricos e, de acordo com o executivo, a produção será embarcada ao exterior, assim como a Atlantic Nickel.

A MVV tem capacidade de produção de 20 mil toneladas de concentrado de cobre por ano e a sua vida útil é de 18 anos. “A previsão de investimentos nesse ativo é de R$ 1 bilhão, já estão compromissados mais de 50% desse montante.”

Além desses ativos no Brasil, o fundo opera uma mina de ouro localizada em Burkina Faso, na África. A Roxgold é uma empresa canadense com ativos operacionais de ouro. Essa mina, Yaramoko, está em operação desde 2016, com duas lavras subterrâneas. Com produção anual entre 145 mil e 155 mil onças de ouro, Roxgold adquiriu recentemente outro projeto de ouro, localizado na Costa do Marfim.

Outro projeto na África é o da Peak Resources, o Ngualla, na Tanzânia, de óxido de terras raras (“REO”). O ativo é tocado por uma joint venture da Appian e com IFC (International Financial Corporation), do Banco Mundial, com a Peak Resources. Outra empresa na qual tem participação é a Harte Gold, de Ontário, no Canadá. Também de ouro está, o projeto está em fase de viabilidade econômica.

Fonte: Valor Econômico

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