Fundador do Rock in Rio planeja novas aquisições

Plano é investir R$ 150 milhões em quatro anos.

Enquanto Bon Jovi embala o público no palco principal do Rock in Rio, o publicitário Roberto Medina, fundador do festival, começa a colocar em prática neste ano um plano de consolidação do mercado de entretenimento ao vivo, ancorado em seu modelo – até aqui bem-sucedido – de comunicação de marcas.

Criada no início deste ano, a Dream Partners, holding de Medina e de seus sócios no grupo Artplan, adquiriu sem muito alarde participação em quatro empresas organizadoras de eventos ao vivo nos últimos meses. Essas operações, com capital próprio, somaram aproximadamente R$ 15 milhões.

Foram adquiridas participações na empresa responsável pelo Rally dos Sertões, maior prova de rali da América Latina, e nas organizadoras do Rio Montreux Jazz Festival e da ArtRio, feira internacional de arte do Rio. A quarta compra foi a BRMC, evento de conteúdo e negócios da indústria de música.

Nos próximos quatro anos, o plano é investir mais R$ 150 milhões em aquisições e atingir a marca de 30 propriedades intelectuais. Para captar recursos, a Dream Partners conversa com fundos private equity. “Estamos criando assim uma consolidadora de mercado”, diz Duda Magalhães, vice-presidente da Artplan e responsável pela nova frente de negócios.

O executivo negocia atualmente aquisição de fatias em mais sete empresas de áreas como esporte, jogos eletrônicos e inovações. A intenção é fechar os negócios no ano que vem. Na maioria dos casos, o foco é a aquisição de participação majoritária nas  empresas, mantendo no comando seus respectivos fundadores.

“Nosso negócio evoluiu de evento para gestão de comunidades. Os fundadores dessas empresas conhecem sua identidade cultural. Queremos operar com eles e permitir que tenham as rédeas do negócio”, diz Magalhães, acrescentando que o contrato de sociedade prevê, porém, a criação de comitês para compartilhar decisões.

Na semana passada, por exemplo, a Dream Partners acertou a aquisição de participação na Bex, a empresa responsável pela ArtRio, a feira de arte internacional do Rio de Janeiro. O evento superou o pessimismo inicial com o cenário econômico e recebeu 48 mil visitantes na edição deste ano. Brenda Valansi continuará à frente da curadoria e da liderança da feira de artes.

“Quem sabe melhor do que a Brenda sobre os artistas, os galeristas, público? É melhor concorrer com ela ou ser sócio dela?”, indaga Magalhães, que é formado em administração pela PUC-Rio e atua no grupo Artplan de Medina há mais de dez anos.

Além de injeção de recursos nesses eventos, a Dream Partners espera potencializar as aquisições, no curto prazo, pela atração de patrocinadores e aumento de bilheteria, usando o conhecimento da outra empresa do grupo, a Dream Factory, especializada em entretenimento ao vivo e fundada em 2001 por Roberto Medina.

A Dream Factory, que passa a ficar sob o guarda-chuva da nova holding, já organiza a Maratona do Rio em sociedade com a Spiridon, além do Carnaval de rua da cidade. Neste ano, a Dream Factory realizou novamente ativações de marca para clientes no Rock in Rio (como Facebook, Prudential, Ipiranga, Olla, DHL), entre outras operações.

Magalhães explica que o Rock in Rio é organizado por outra empresa do grupo Artplan, que leva o nome do festival, e não vai ficar abrigado sob a Dream Partners. Porém, o megaevento, que deve atrair 700 mil pessoas neste ano, servirá de modelo e inspiração para as atuais e futuras propriedades da empresa. Segundo seus controladores, a Dream Partners deverá faturar R$ 485 milhões em 2023.

Segundo ele, o Rock in Rio deixou de ser um evento que se resume à data de realização. Seu trabalho de comunicação tem início um ano antes dos shows e culmina com a realização do festival de música. “É uma plataforma de comunicação de marcas que perdura muito além dos dias de rock”, explica o executivo.

Além do uso desse modelo, uma ambição dos sócios da Artplan é integrar as empresas adquiridas pela Dream Partners a um grande banco de dados. Com o cadastro, será possível conhecer as preferências dos clientes e realizar vendas cruzadas de eventos, produtos e serviços, além de avançar para um programa de relacionamento de pontos.

A Dream Partners também prevê, em uma segunda etapa do projeto, investimentos na aquisição de empresas fornecedoras de serviços para os eventos. É o caso de equipamentos, alimentos e bebidas e sistema de bilheteria, por exemplo. São áreas atualmente atendidas por fornecedores e que ganham sentido numa escala maior.

Além de Medina, a Dream Partners tem entre seus sócios Rodolfo e Roberta Medina (filhos de Roberto Medina e executivos na Artplan), Rubem Medina, Jomar Junior, Lionel Chulam e Duda Magalhães.

Fonte: Valor Econômico

Gostou? Compartilhe!Share on Facebook
Facebook
Tweet about this on Twitter
Twitter
Share on LinkedIn
Linkedin
NENHUM COMENTÁRIO

ESCREVA UM COMENTÁRIO