Fibra óptica vai atrair consolidação

A próxima onda de fusões e aquisições no mercado mundial de infraestrutura de telecomunicações deverá envolver a fibra óptica, em especial as empresas que levam essa rede até a casa do consumidor. No Brasil, a fibra é a alma do negócio dos provedores regionais de banda larga fixa e importante fonte de aumento de receita das grandes operadoras nacionais. Mais recentemente, tornou-se alvo de interesse de fundos de investimento e de gestores de torres de telefonia como American Tower e Phoenix Tower, que já entraram no negócio.

As teles começaram a vender suas torres em vários países, inclusive no Brasil, há alguns anos, como forma de monetizar ativos considerados não estratégicos. Os passaram a alugar as torres para as operadoras. É nas torres que as teles colocam suas estações radiobase e criam as redes para conectar clientes.

O mesmo princípio ocorre com a fibra, principalmente na Europa, onde algumas operadoras de telefonia cindiram o negócio de torres e fibra, criando uma nova empresa, separada da área de serviços.

Foi assim que a Telecom Italia, dona da TIM Brasil, criou a Inwit e depois fez um acordo com a Vodafone para prestarem serviços a outras empresas. As sócias combinaram 22 mil torres e cada uma ficou com 37,5% das ações – fusão que está prevista para ser concluída em 2020. Agora, planejam desenvolver 5 mil conexões de fibra. A Telefónica espanhola e sua subsidiária Telefônica Brasil, dona da Vivo, separaram suas torres na nova empresa Telxius. A onda foi puxada pela britânica BT, que criou a Openreach, em 2015.

No Brasil, a maior rede de fibra óptica é a da Oi, com mais de 370 mil quilômetros. Rodrigo Abreu, que assume o cargo de diretor-presidente da empresa em 31 de janeiro, não descarta separar a parte de infraestrutura, mas diz que isso não é pré-requisito para atender outras operadoras. O executivo diz que poderão ser vendidos trechos da rede de fibra que não são estratégicos para a Oi.

O estudo “The new age of scale, scope and infrastructure in telecom M&A”, da consultoria americana Bain & Company, mostra que as empresas que possuem infraestrutura estão sendo mais bem avaliadas no mercado do que as puramente de serviços. As demandas dos mercados empresarial e consumidor requerem cada vez mais velocidade, capacidade e qualidade de transmissão de dados por internet. Para isso, é preciso uma combinação de fibra e telefonia móvel 5G.

Os analistas da Bain mostram que as empresas de torre e fibra valem mais, em média, do que as operadoras de telefonia e de outros serviços como armazenagem de dados. Eles sugerem que as teles farão acordos para manter o controle do ativo, mesmo após vender uma parte do negócio.

Fonte: Valor Econômico

Gostou? Compartilhe!Share on Facebook
Facebook
Tweet about this on Twitter
Twitter
Share on LinkedIn
Linkedin
NENHUM COMENTÁRIO

ESCREVA UM COMENTÁRIO