Entenda por que as gigantes da aviação estão unindo forças

Boeing e a Embraer anunciaram no último dia 5 o esperado acordo para unir seus negócios, por meio da criação de uma nova empresa. A companhia norte-americana deterá 80% da divisão de aeronaves comerciais da fabricante brasileira, que ficará com os 20% restantes.

É o segundo grande acordo do setor aéreo em 9 meses. Em outubro do ano passado, a Airbus comprou metade do programa de aviões de médio alcance da Bombardier.

Entenda o acordo entre a Boeing e Embraer:

Em que consiste o acordo entre as duas companhias?

A Boeing e a Embraer assinaram um acordo de intenções para formar uma joint venture (nova empresa) na área de aviação comercial, avaliada em US$ 4,75 bilhões. A fabricante norte-americana deterá 80% do novo negócio e a Embraer, os 20% restantes.

As operações e serviços de aviação comercial da Embraer foram avaliados em US$ 4,75 bilhões. A Boeing, maior fabricante de aeronaves do mundo, deve pagar US$ 3,8 bilhões pelos 80% da joint venture.

Em 2017, a área de aviação comercial da Embraer respondeu por 57,6% da receita líquida da companhia, com US$ 10,7 bilhões de um total de US$ 18,7 bilhões.

O que é uma joint venture?

Joint venture é uma empresa criada a partir dos recursos de duas companhias que se unem e passam a partilhar os custos e dividir seus resultados financeiros (lucros e prejuízos).

No caso da Embraer e Boeing, a expectativa é de que a nova empresa gere uma sinergia anual de custos estimada em cerca de US$ 150 milhões, sem considerar impostos, até o terceiro ano do negócio.

O acordo ainda precisa ser aprovado?

Sim. A transação ainda depende do aval dos acionistas – entre os quais, no caso da Embraer está o governo brasileiro – e dos órgãos reguladores do mercado brasileiro e americano.

Caso as aprovações ocorram no tempo previsto, a expectativa é que a transação seja fechada até o final de 2019, entre 12 a 18 meses após os acordos definitivos.

Por que Boeing e Embraer estão unindo forças?

A Boeing e a Embraer anunciaram no fim do ano passado que estudavam unir seus negócios. A expectativa era de que a união entre as duas poderia criar uma gigante global de aviação, com forte atuação nos segmentos de longa distância e na aviação regional, e capaz de fazer frente a uma união similar entre as maiores concorrentes, Airbus e Bombardier, que também se uniram.

A americana e a brasileira se unem para tentar consolidar em um mesmo negócio duas operações fortes, uma em aviação de longa distância, outra para deslocamentos regionais. Enquanto a Boeing é a principal fabricante de aeronaves comerciais para voos longos, a Embraer lidera o mercado de jatos regionais, com aeronaves equipadas para voar distâncias menores.

As duas empresas já eram parceiras?

As duas empresas já eram parceiras em diversos projetos antes de anunciar a negociação de uma fusão. Ainda em 2017, elas haviam fechado acordo para venda e suporte técnico do novo cargueiro da Embraer, o KC-390. As duas empresas mantêm um centro de pesquisas conjunto sobre biocombustíveis para aviação em São José dos Campos desde 2015.

Qual a relação do governo brasileiro com a Embraer?

O governo federal é dono de uma “golden share” na Embraer, que garante poder de veto em decisões estratégicas da companhia, entre elas a transferência de controle acionário da companhia.

Em janeiro deste ano, depois que a Boeing e a Embraer anunciaram que estavam negociando uma fusão, o governo decidiu que não venderia o controle da empresa à norte-americana. Porém, defendeu uma parceria entre as duas companhias.

Procurado no dia 5, o Palácio do Planalto não se pronunciou sobre o novo anúncio.

A Embraer foi privatizada em 1994, no fim do governo Itamar Franco, por R$ 154,1 milhões (valores da época), quando o governo obteve o poder de decisão sobre a companhia.

O direito do governo sobre a empresa será mantido?

Em partes. O governo continuará tendo direito de “golden share” na Embraer após o acordo. Mas isso só vale para a “antiga” companhia, não para a joint venture.

Quem vai comandar a nova empresa?

A joint venture será liderada por uma equipe de executivos no Brasil, mas a Boeing vai controlar as operações e a gestão do negócio.

A Embraer continuará listada em bolsa?

Sim, tanto no Brasil quanto nos EUA.

O que vai acontecer com os funcionários da área comercial da Embraer?

Eles serão transferidos para a nova empresa que será formada em parceria com a Boeing. As unidades de São José dos Campos e Taubaté vão ficar com a nova empresa. A fábrica em Eugênio de Mello, distrito de São José, ficará com Embraer.

Nos demais setores, Defesa e Aviação Executiva, que permanecem sob o domínio da Embraer, não haverá mudança para os funcionários.

Fonte: G1

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