É Só o Dinheiro ou Algo Mais?

Saras  Sarasvathy é a mãe do método “Effectuation”, hoje adotado por vários organismos ao redor do mundo, principalmente universidades. Saras é indiana, pesquisara e professora de MBA em empreendedorismo com passagens por diversas universidades espalhadas pelo globo. Ela acredita que os empreendedores estão mais focados nos aportes que pretendem receber do que efetivamente criar empresas reais, que tragam valor para a sociedade. O método “Effectuation” foi criado para trazer ciência ao empreendedorismo como contraponto a uma coisa mítica e mágica que muitos pregam. Atualmente mais de 5 mil universidades usam o seu método e mais de 700 pesquisas já foram realizados sobre o assunto. O objetivo aqui não é esmiuçar o método em si. Para isso sugiro a leitura do livro “effectuation: Elements Of Entrepreneurial Expertises”. A ideia neste pequeno ensaio é discutir, no midiático mundo das startups, uma questão que a pesquisadora indiana aborda em suas aulas de MBA, onde traz o seguinte desafio: “ vocês querem que eu ensine como criar uma empresa ou como conseguir dinheiro?” É fato que hoje busca-se uma fórmula mágica para criação de empresas de sucesso, de preferência de forma meteórica e com pouco investimento. Se ela surgir do nada é mais cool ainda. Será capa de revista certamente. Mas por traz de empresas reais existem esforços, falhas, conflitos e perdas reais. Como lembra Sarasvathy, bons investidores não apostam em qualquer companhia. Eles procuram por empresas reais que entregam serviços reais para consumidores reais. Só fazer um app, chamar um desenvolver e tudo pronto. Basta agora trazer o dinheiro. Isso na prática não funciona. Recursos para startups e projetos inovativos não faltam no mercado, mas os resultados de muitas empresas investidas estão aquém do esperado. Um estudo da Fundação Dom Cabral mostra que a chance de uma startup sucumbir aumenta 1,24% vez sempre que um novo sócio passa a trabalhar em período integral no empreendimento. O desafio da gestão diária, da construção da visão estratégica, dos critérios de sucesso e da inserção de produtos e serviços em mercados cada vez mais competitivos, como das próprias fintechs, demonstra que o dinheiro e uma boa ideia sozinhos, sem capacidade de gestão, processos eficientes, pessoas qualificadas e uma pitada de sorte não prosperam. Convide o investidor a pensar e participar mais ativamente do negócio e não apenas foque no dinheiro dele. Essa é outra sugestão da indiana Saras. O incentivo a economia real, tão em voga no Brasil, num momento de crise e de rentabilidade baixa em investimentos tradicionais pode passar claramente pelas startups. Mas não mais como uma simples aposta, numa cultura de muitos fracassos para poucos sucessos, mas sim numa cultura de evolução corporativa e maturidade profissional de seus empreendedores, cujo desafio é crescerem num voo sustentável, sem perda da sua capacidade criativa, da velocidade da transformação e adaptação tão necessárias no mundo de hoje.

Fabricio Scalzilli
Sócio da Nello Investimentos

 

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