Duratex e Lwarcel conversam sobre florestas

A Duratex tem conversado diretamente com o grupo Lwart, controlador da Lwarcel, sobre o futuro dos seus 20 mil hectares de florestas de eucalipto. Essa área seria vendida, inicialmente, à Suzano Papel e Celulose por R$ 750 milhões. A comercialização dessas terras e florestas da Duratex poderá integrar uma operação casada com a venda do controle da Lwarcel, o que tornaria o negócio mais interessante para o potencial comprador da produtora paulista de celulose, de acordo com fonte.

Outra possibilidade é a Duratex negociar os ativos com o vencedor da disputa pela Lwarcel após o nome ser definido. As terras estão localizadas a menos de 30 quilômetros da fábrica da Lwarcel em Lençóis Paulista (SP), distância pequena quando se considera o raio médio ideal de 100 quilômetros entre a floresta e a unidade de produção de celulose. Com a expansão prevista para a fábrica da Lwarcel, atrelada à venda do controle, será necessário comprar madeira ou aumentar o plantio.

Segundo fonte, a Duratex tem sido procurada por representantes de bancos de investimento e escritórios de advocacia interessados em representar a companhia na negociação. Outra possibilidade é a Suzano vender, no mercado, a opção de compra das florestas, que vence dia 2 de julho. Esses ativos deixaram de interessar à Suzano após a fusão com a Fibria.

Procurados pela reportagem, Lwart, Suzano e Duratex não comentaram o assunto. Em teleconferência com analistas e investidores realizada ontem, o presidente da Duratex, Antônio Joaquim de Oliveira, disse que a companhia considera a possibilidade de a Suzano não exercer a opção de compra e que há outros interessados. “Temos plano B e C”, afirmou. O executivo acrescentou que há expectativa que a venda de ativos excedentes de florestas ocorra até o início do segundo semestre.

Os R$ 750 milhões da segunda tranche da operação com a Suzano correspondem a um terço da dívida líquida da Duratex, de R$ 2,216 bilhões ao fim de março.

Em fevereiro, a Duratex anunciou a venda para a Suzano de quase 30 mil hectares de terras e florestas. Na ocasião, 9,5 mil hectares do total foram vendidos por R$ 308,1 milhões e foi divulgado que a opção de compra do restante poderia ser exercida até o início de julho. O impacto da venda da primeira tranche de florestas para a Suzano será contabilizado neste trimestre, e a expectativa é que o recebimento integral do caixa dessa operação ocorra até o fim do ano.

A Suzano fechou a primeira parte da operação com a Duratex para abastecer a fábrica de Limeira (SP). Já a segunda etapa tinha como objetivo fornecer madeira para nova unidade da empresa de papel e celulose ou para a expansão da Lwarcel, empresa pela qual a Suzano participava da disputa do controle até fechar o acordo com a Fibria.

No primeiro trimestre, a Duratex obteve lucro líquido de R$ 30,8 milhões, revertendo o prejuízo líquido de R$ 7,514 milhões do mesmo período do ano passado. A receita líquida subiu 5,7%, para R$ 1 bilhão. A margem Ebitda cresceu de 20,3% para 22,4%. Já a margem do Ebitda ajustado e recorrente aumentou de 15,6% para 18,1%.

Segundo Oliveira, o desempenho da divisão Madeira superou o que a companhia esperava para o trimestre. A recuperação do segmento deve ser “consistente, mas lenta”, de acordo com o presidente da Duratex, que não vê perspectiva para novas altas de preços de painéis de madeira. Em janeiro, a empresa anunciou alta de 8% em MDP e reajustes pontuais em menor proporção em MDF que entraram em vigor em fevereiro e março.

A Duratex busca reforçar as exportações da Deca para diluir custos da divisão de louças e metais sanitários. “Fechamos contratos com os Estados Unidos que possibilitarão aumentar nossa base de exportações”, diz o presidente. De acordo com Oliveira, o desempenho da Deca nos quatro primeiros meses do ano ficou próximo ao que a companhia projetava para o período, cerca de 2% ou 3% abaixo do planejado.

Ontem, a Duratex divulgou criação da divisão de Revestimentos Cerâmicos, cujos resultados eram incluídos nos da Deca até o trimestre passado. Em agosto de 2017, a Duratex entrou no segmento com a compra da totalidade da Ceusa Revestimentos Cerâmicos.

Fonte: Valor

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