Duratex compra Cecrisa em operação de R$ 1 bi

A Duratex anunciou, ontem, a compra da fabricante de revestimentos cerâmicos Cecrisa, cujo controle pertencia à Vinci Partners, por R$ 539 milhões. A operação chega a quase R$ 1 bilhão incluídas as dívidas de R$ 442 milhões. Uma das principais ceramistas do país, a Cecrisa é conhecida pelos porcelanatos premium da marca Portinari. A Duratex comprou a totalidade da empresa, sendo que 77% pertenciam à Vinci e 23% à família Borges de Freitas.

“A Duratex é uma empresa em transformação, que está investindo em crescimento”, afirmou ao Valor o presidente da companhia, Antônio Joaquim de Oliveira.

O pagamento de R$ 539 milhões será dividido em R$ 264 milhões a serem saldados com recursos próprios, e R$ 275 milhões relacionados a condições suspensivas. Na prática, a Duratex assumirá contingências relativas a questões trabalhistas e fiscais e descontará os valores desembolsados dos R$ 275 milhões. Ao fim de cinco anos, se houver sobra desses recursos, será paga aos vendedores.

Em relação às dívidas da Cecrisa de R$ 442 milhões, patamar considerado elevado pelo mercado, a maior parte se refere a vencimentos de longo prazo. “Vamos liquidar ou renegociar as dívidas mais caras de curto prazo”, conta Oliveira. O executivo ressalta que a alavancagem da Duratex não será pressionada pela aquisição. No fim de março, a alavancagem medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda dos últimos 12 meses da companhia era de 2,38 vezes.

As conversas entre Duratex e Cecrisa começaram em 2010, antes da aquisição do controle da ceramista pela Vinci, operação ocorrida em 2012. A aquisição integra a estratégia da Duratex de atuar em quatro grandes segmentos – madeira, Deca/Hydra, celulose solúvel e revestimentos cerâmicos -, segundo Oliveira, e faz parte da visão de longo prazo da companhia em relação ao mercado.

“O primeiro trimestre ficou aquém do que imaginávamos, mas a retomada da construção civil é inequívoca, ainda que a velocidade desse processo dependa da aprovação das reformas”, diz o executivo. Segundo ele, em dezembro, a Duratex estava mais otimista em relação a 2019, com expectativa de aprovação mais rápida das reformas. A companhia espera ter “algum crescimento” neste ano.

A entrada da Duratex em revestimentos cerâmicos ocorreu em 2017, com a compra da Ceusa, cuja capacidade instalada irá dobrar, a partir de setembro, para 11 milhões de metros quadrados por mês. Somando-se os 20 milhões de metros quadrados da Cecrisa, a Duratex terá capacidade para produzir 31 milhões de metros quadrados mensais de revestimentos, se consolidando como uma das maiores do segmento. “Estaremos entre as três maiores empresas de porcelanato. Nosso objetivo é sermos líderes em rentabilidade. Temos condições de manter, no segmento, as margens que possuímos na Ceusa”, afirma Oliveira.

A Cecrisa – cujas operações tiveram início em 1971 – possui duas fábricas em Criciúma (SC) e uma em Santa Luzia (MG), com o total de 1.700 funcionários. Em 2018, a Cecrisa teve receita líquida de R$ 652 milhões e Ebitda de R$ 112 milhões.  Com duas fábricas em Urussanga (SC), a Ceusa registrou receita de R$ 193,5 milhões e Ebitda de R$ 46,4 milhões.

Após a duplicação da Ceusa, o faturamento combinado com o da Cecrisa vai somar R$ 1 bilhão. “É um negócio bastante relevante, com potencial de crescer ainda mais. O mercado é muito pulverizado, e pode haver outras oportunidades de aquisição”, diz Oliveira. Nos dois principais negócios da Duratex – Madeira e Deca -, as receitas foram de R$ 3,272 bilhões e R$ 1,483 bilhão em 2018.

A Duratex estima que as sinergias administrativas, comerciais, de marketing, suprimento e desenvolvimento de produtos entre Cecrisa e Ceusa superem R$ 250 milhões. Inicialmente, as marcas Ceusa e Portinari – ambas de alto padrão – serão mantidas, mas a decisão final será tomada após estudo realizado pela Interbrand.

A compra da Cecrisa pela Duratex foi o segundo grande movimento de consolidação de revestimentos cerâmicos ocorrido em sete meses. Em outubro do ano passado, o grupo americano Mohawk Industries comprou a totalidade da Eliane Revestimentos Cerâmicos, outra das principais fabricantes do segmento cerâmico.

Fonte: Valor Econômico

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