Disputa em aquisição deve crescer em 2019

Executivos brasileiros estão mais otimistas com o futuro da economia do país e com a possibilidade de fazer aquisições no mercado nacional, conforme uma pesquisa feita pela consultoria EY. A  pesquisa ouviu 2,6 mil executivos de 45 países. Do total de entrevistados, 90% dos executivos espera uma maior atividade de M&A em 2019, próximo à perspectiva dos executivos brasileiros, com índice de 88%.

“Com a eleição de um presidente pró-negócios, as operações de M&A tendem a crescer junto às expectativas das reformas fiscais”, diz Felipe Miglioli, sócio de estratégia da EY.

Dos executivos brasileiros, 42% dizem que vão buscar ativamente um M&A neste ano. O percentual é relevante, mas é o menor dos últimos dois anos. “Nesse período, houve uma janela de oportunidade para empresas capitalizadas olharem mais ativamente M&A, aproveitando quem estava na ponta oposta, de aperto financeiro, alto endividamento, mas eram casos e apetite pontuais , o que deixa os preços muito desalinhados”, considera Miglioli. “Com a perspectiva de melhora econômica, há mais disputa pelos ativos.”

Ele ressalta que está em curso uma guinada na perspectiva das companhias nacionais. Nos últimos três anos, conforme o executivo, a agenda das empresas ficou mais voltada para a preservação de capital alocado e ganho de eficiência e que, agora, os empresários voltam a falar em uma agenda de expansão e investimentos. “Grandes companhias nacionais estão olhando aquisições no mercado brasileiro. Parece normal, mas isso não acontecia há algum tempo, pois os executivos preferiam olhar ativos em outros mercados da América Latina e Estados Unidos como alvo”, diz. Na última pesquisa, o Brasil aparece seguido de Argentina e Chile como alvos.

Para bancos de investimento, deve haver mais operações de volumes menores. “Este ano foram poucas operações anunciadas e concluídas, mas de grande porte”, diz Roderick Greenlees, chefe global de mercado de capitais do Itaú BBA. “Acredito que, no ano que vem, o número de operações médias será maior.”

A pesquisa reflete uma avaliação semelhante, que haja mais transações, mas de tíquetes mais baixos. Somente no primeiro semestre de 2018, foram 33 “megaoperações”, acima de US$ 10 bilhões. Algumas transações grandes envolvendo empresas brasileiras, no entanto, acabaram não sendo concluídas este ano — e ficam para 2019. A venda da Transportadora Associada de Gás (TAG) pela Petrobras é uma delas, avaliada em US$ 8 bilhões pelo mercado. Outra transação grande que só deve ser concluída no ano que vem é a venda da petroquímica Braskem para a holandesa LyondellBasell.

A avaliação dos executivos ouvidos pela EY é que a pressão regulatória pode inibir novas concentrações — o que é apontado como o maior risco para a conclusão de operações. Entre os executivos brasileiros, 77% declaram que já tiveram que suspender ou tiveram problema em completar uma aquisição nos últimos 12 meses. Uma das razões apontadas foi regulatória, mas também competição maior com outros interessados e falta de acordo de preço.

Mais da metade das empresas espera maior competição de ativos entre compradores de private equity. “Os fundos de private equity têm um volume global recorde de ‘dry powder’ [capital levantado e ainda não aplicado], por isso são vistos como os maiores ativistas em M&A em 2019”, diz Miglioli.

Conforme um relatório do J.P. Morgan, o volume de recursos dos fundos de participação globais para alocação é de US$ 1,5 trilhão — um recorde. “O ‘dry powder’ cresce à medida que o comprometimento de capital de investidores, em busca por maiores retornos, ultrapassa o ritmo de transações efetivadas pelos gestores de private equity”, diz Michael Cembalest, chefe de estratégia de investimento da J.P. Morgan Asset Management, em relatório.

No mercado brasileiro, a estimativa da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (Abvcap) é que os fundos têm R$ 30 bilhões captados para investir. Executivos do setor ponderam ainda que, por aqui, parte do volume de M&A deve vir de privatizações. Mas não é um volume esperado para o primeiro semestre do ano. “Já temos visto mais estrangeiros sondando negócios no Brasil, principalmente os americanos, que estavam menos interessados”, diz Rodrigo Valverde, sócio do escritório SV Law, especializado em M&A. O escritório também tem atendido mais clientes asiáticos interessados em operações no Brasil.

Fonte: Valor Econômico

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